O Desafio do Engajamento no Trabalho e o Verdadeiro Impacto do Desenvolvimento de Pessoas
Por que investir mais em treinamento não garante engajamento e produtividade nas organizações
O engajamento dos colaboradores segue em queda no mundo corporativo e já produz impactos mensuráveis sobre produtividade e desempenho organizacional. De acordo com o relatório State of the Global Workplace 2025, da Gallup, apenas 21% dos trabalhadores globalmente estão efetivamente engajados em suas atividades. Em 2024, esse cenário resultou em perdas estimadas de US$ 438 bilhões em produtividade, evidenciando um problema na relação entre pessoas, cultura e gestão e recolocando os programas de desenvolvimento e retenção de talentos no centro da agenda corporativa.
Os números refletem uma desconexão crescente entre estratégia, cultura e desenvolvimento das pessoas. A queda no engajamento não é um problema individual do colaborador, mas um sintoma de modelos de gestão que ainda tratam desenvolvimento como ação pontual. Quando o treinamento não dialoga com a cultura, com a liderança e com os desafios reais do negócio, ele perde capacidade de gerar pertencimento, aprendizado e impacto sustentável.
No Brasil, o aumento dos investimentos em treinamento e desenvolvimento não tem sido suficiente, por si só, para reverter esse quadro. O investimento médio anual em T&D cresceu 34% em relação a 2019, chegando a R$ 1.012 por colaborador, o que indica avanço orçamentário, mas também expõe um desafio recorrente: transformar aporte financeiro em aprendizado aplicável, engajamento real e impacto consistente sobre a performance das equipes.
O crescimento do orçamento dedicado a T&D precisa vir acompanhado de escolhas mais criteriosas. Investir mais não significa, necessariamente, desenvolver melhor. O retorno aparece quando o treinamento é desenhado a partir de diagnósticos claros, com objetivos mensuráveis e conexão direta com a estratégia do negócio. Sem esse alinhamento, o desenvolvimento corre o risco de se tornar um custo recorrente, sem efeito consistente sobre engajamento e performance.
O impacto do treinamento não se mede por carga horária ou volume de certificados. O desenvolvimento personalizado cumpre um papel estratégico porque sustenta a cultura e orienta como as pessoas tomam decisões e agem diante dos desafios reais do negócio. Essa coerência entre aprendizado, propósito e prática é o que diferencia organizações reativas daquelas capazes de conduzir sua própria transformação ao longo do tempo.
Por Elenise Martins
Fundadora da EMRH Consultoria, profissional atuante na área de RH desde 2004, especializada em desenvolvimento de pessoas e gestão de mudanças, atualmente estudando Gestão de RH com IA para ampliar soluções inovadoras na consultoria
Artigo de opinião



