Dor nas costas entre jovens: um problema crescente e silencioso
Sedentarismo, má postura e home office improvisado aceleram o desgaste da coluna em pessoas cada vez mais jovens
A dor nas costas, antes considerada um problema restrito à população acima dos 45 anos, tornou-se uma verdadeira epidemia entre os brasileiros e, surpreendentemente, cada vez mais jovens estão sendo afetados.
Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam um crescimento exponencial nos atendimentos hospitalares e ambulatoriais relacionados a disfunções da coluna vertebral, com pacientes de apenas 18 ou 19 anos já apresentando sinais de degeneração discal, osteófitos (os conhecidos “bicos de papagaio”) e outras alterações que, até pouco tempo atrás, eram exclusivas da meia-idade, ou seja, acima dos 45 anos.
O início é de dores em determinados movimentos que exigem mais esforço ou em posições específicas, que fazem as pessoas mudarem um pouco a rotina e até mesmo tentarem se preservar de atividades físicas e passarem mais tempo descansando, como uma forma de se recuperarem para os afazeres que não podem ou não devem ser pausados, como o trabalho, por exemplo. É nesse tempo sem cuidado e na continuidade dos mecanismos lesionais que as disfunções vão se perpetuando.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% da população mundial sofrerá ao menos um episódio de dor lombar ao longo da vida. No Brasil, a dor nas costas já lidera os motivos de afastamento do trabalho, impactando não só a produtividade, mas também a qualidade de vida, o lazer e o convívio social.
Estudos da National Library of Medicine apontam que o sedentarismo, as posturas erradas — especialmente durante o home office improvisado, com cadeiras e mesas inadequadas — e o aumento do tempo em repouso são realmente os principais vilões dessa tendência. A falta de atividade física e o excesso de tempo sentado aceleram o processo de degeneração das articulações vertebrais.
A coluna vertebral é o eixo central do corpo humano, e toda a mobilidade de braços e pernas dependem dela. Ao mesmo tempo em que ela fornece estabilidade ao corpo, deve ser flexível o suficiente para uma variedade de movimentos, que recorrem a outras estruturas como ligamentos e músculos. Quando essa musculatura é negligenciada, aumentam os riscos de lesões e dores crônicas.
Dessa forma, o sedentarismo ou o repouso são os principais inimigos da coluna vertebral, pois são músculos fortes e preparados que garantem essa estabilidade dinâmica e ajudam a reduzir o processo de degeneração das articulações da coluna. A atividade física regular é a recomendação mais certeira para prevenir dor nas costas e em diversos outros segmentos do corpo humano. Várias modalidades são capazes de fornecer ao nosso corpo o movimento necessário e o controle desses movimentos e da postura.
Como virar o jogo e fugir das estatísticas
A boa notícia é que a prevenção está ao alcance de todos. As principais recomendações fisioterapêuticas incluem:
– Desenvolver consciência corporal, conectando mente e corpo em todas as atividades;
– Praticar exercícios que trabalhem força muscular e flexibilidade, como pilates, yoga ou treinamento funcional;
– Aplicar conceitos de ergonomia no ambiente de trabalho, ajustando cadeiras, mesas e telas à altura adequada, com pausas controladas durante as atividades;
– Controlar o estresse e buscar momentos de desconexão mental.
A atividade física regular é a intervenção mais eficaz para prevenir e tratar dores nas costas. Portanto, mexa-se! Sua coluna agradece.
Por Fernanda Maria Cercal Eduardo
fisioterapeuta, Doutora em Tecnologia em saúde – Bioengenharia, Mestre em Tecnologia em Saúde – Bioengenharia, professora no Centro Universitário Internacional Uninter, experiência em Fisioterapia Traumato-ortopédica e Terapia manual
Artigo de opinião



