Visto EB-1: Acelerando o caminho para o green card por mérito profissional
Entenda como a categoria EB-1 valoriza a trajetória consistente e o destaque profissional para facilitar a residência permanente nos EUA
O visto EB-1 é uma das principais vias de imigração baseada em emprego para quem busca residência permanente nos Estados Unidos por mérito profissional. A categoria ocupa a primeira preferência entre os vistos employment based e exige que o candidato comprove, por meio de evidências objetivas, desempenho acima da média em seu próprio campo de atuação.
O EB-1 ainda é mal interpretado. Não é um visto inalcançável, mas exige documentação sólida e estratégia. Ele é mais rigoroso que o EB-2, sem exigir que a pessoa seja um gênio fora da curva.
O EB-1 se divide em três subcategorias com exigências distintas. O EB-1A é destinado a pessoas com habilidades extraordinárias nas áreas de ciência, artes, educação, negócios ou esportes. Nessa modalidade não é exigida oferta formal de emprego nem patrocinador. O foco está em demonstrar reconhecimento nacional ou internacional, prêmios, publicações, contribuições relevantes e uma trajetória consistente. A comparação sempre deve ser feita dentro do nicho e do país de origem do candidato.
O EB-1B é voltado a professores e pesquisadores estrangeiros com destaque acadêmico. Nesse caso, a legislação exige no mínimo três anos de experiência em ensino ou pesquisa, além de uma oferta de emprego de universidade ou instituição de pesquisa nos Estados Unidos. A imigração exige esse vínculo porque quer ver continuidade da atividade acadêmica e relevância institucional comprovada.
Já o EB-1C atende executivos e gerentes de empresas multinacionais. É comum entre profissionais que entram no país com visto L-1 e posteriormente ajustam o status, embora a aplicação direta também seja possível. O ponto central é comprovar atuação executiva fora dos Estados Unidos e a relação societária entre a empresa estrangeira e a operação americana que fará a oferta de trabalho.
Independentemente da categoria, o processo do EB-1 é conhecido pelo alto volume de documentos. A petição é protocolada junto ao United States Citizenship and Immigration Services por meio do formulário I-140, acompanhada de centenas e, em alguns casos, milhares de páginas de provas. O EB-1 exige evidência objetiva. Não basta declaração. São necessários certificados, contratos, cartas de referência, publicações, patentes e múltiplas comprovações para cada fato alegado.
A análise é essencialmente comparativa e visual. O agente precisa olhar o processo e entender quem é aquela pessoa, o que ela fez e o que pretende fazer nos Estados Unidos. Se o enquadramento estiver errado, o pedido pode ser negado não por falta de mérito, mas por tipificação incorreta.
Por estar no primeiro nível da categoria de vistos baseados em emprego, o EB-1 costuma ter prioridade no Visa Bulletin, publicação mensal que define a disponibilidade de números de visto por categoria e país. A condição de estar current depende da nacionalidade do solicitante e do mês de referência, o que exige acompanhamento constante.
O tempo de análise varia conforme o centro de processamento e a complexidade do caso. Existe ainda a possibilidade de solicitar o processamento premium quando disponível, com resposta em prazo reduzido mediante taxa adicional. Nem sempre o processamento premium é recomendado. Se o processo não estiver extremamente bem estruturado, acelerar pode não ser a melhor decisão.
Para quem avalia seguir esse caminho, o planejamento de carreira é apontado como decisivo. O EB-1 exige consistência. Publicações, prêmios, posições de liderança e reconhecimento precisam dialogar entre si e mostrar uma trajetória acima da média construída ao longo do tempo.
Apesar de seletivo, o visto é plenamente viável para profissionais que atendem aos critérios. Poucos dominam o EB-1 em profundidade porque ele é complexo e exige estudo contínuo. Ainda assim, é uma das categorias mais interessantes para quem busca residência permanente nos Estados Unidos.
Por Daniel Toledo
Advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante, sócio da LeeToledo PLLC, membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos, professor honorário da Universidade Oxford – Reino Unido, consultor em protocolos diplomáticos do Instituto Americano de Diplomacia e Direitos Humanos USIDHR
Artigo de opinião



