O perigo do primeiro prato: por que o jovem resgatado no Pico Paraná não podia comer imediatamente

Entenda a Síndrome da Realimentação e como a reintrodução alimentar inadequada pode ser fatal após jejum prolongado

O resgate do jovem Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, após cinco dias desaparecido no Pico Paraná, emocionou a todos. Imagens dele extremamente debilitado geraram um desejo imediato nas redes sociais: que ele recebesse um prato de comida urgente. Porém, segundo especialistas, essa reação popular poderia ter causado uma tragédia. A explicação está na Síndrome da Realimentação, uma condição metabólica grave que ocorre quando uma pessoa que ficou longos períodos em jejum retoma a alimentação de forma abrupta.

De acordo com Lucas Antunes, coordenador do curso de Nutrição da Uniabeu, o corpo sofre mudanças profundas durante o jejum prolongado. “Quando o indivíduo fica em jejum por muito tempo, a secreção de insulina diminui, e o organismo passa a usar a gordura estocada e proteínas musculares como fonte de energia para não sucumbir”. Essa adaptação metabólica faz com que a reintrodução alimentar precisa ser gradual e controlada.

O perigo está no primeiro prato consumido após o jejum, especialmente se for rico em carboidratos, como macarrão ou doces. A ingestão brusca provoca um pico de insulina que causa um “curto-circuito” metabólico: eletrólitos essenciais como fósforo, potássio e magnésio saem rapidamente do sangue e entram nas células, levando a uma queda brusca desses minerais na corrente sanguínea. Essa alteração pode desencadear sintomas graves, como fraqueza intensa, confusão mental, retenção de líquidos, falência cardíaca e respiratória, e em casos extremos, coma e morte.

Os sintomas da Síndrome da Realimentação não surgem imediatamente, podendo levar de 24 a 72 horas para se manifestar. Por isso, o tratamento exige uma equipe multidisciplinar e muita paciência. O protocolo consiste em iniciar a alimentação com poucas calorias diárias e baixa quantidade de carboidratos, além da suplementação de vitaminas e minerais para repor os estoques perdidos. Somente após a estabilização dos níveis de fósforo e potássio é que a dieta sólida completa pode ser reintroduzida.

Se você estiver envolvida no resgate de alguém que ficou mais de cinco dias sem se alimentar, é fundamental evitar oferecer refeições completas imediatamente. Pequenos goles de água são permitidos se a pessoa estiver consciente e conseguir engolir, mas o ideal é encaminhá-la ao hospital para avaliação e monitoramento dos eletrólitos no sangue. Informar a equipe médica sobre o tempo de jejum é essencial para que o protocolo de realimentação seja ativado de forma segura.

Este alerta, baseado em dados da assessoria de imprensa da Uniabeu, reforça a importância de entender que, em casos de jejum prolongado, a pressa em alimentar pode ser fatal. A paciência e o cuidado na reintrodução alimentar são fundamentais para garantir a recuperação e a vida da pessoa resgatada.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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