O erro silencioso de janeiro que sabota seu emagrecimento: comer menos e se movimentar errado

Por que dietas restritivas e treinos excessivos desaceleram o metabolismo e dificultam a perda de peso logo no início do ano

Cortar calorias drasticamente e exagerar nos treinos pode parecer o caminho mais rápido para perder peso no início do ano. Na prática, essa estratégia costuma fazer o oposto: desacelera o metabolismo, aumenta a perda de massa muscular e sabota os resultados logo nas primeiras semanas.

Janeiro começa, a balança acusa os excessos de dezembro e a decisão parece óbvia: comer menos e se mexer mais. Academias cheias, dietas restritivas, jejum prolongado, treinos diários sem descanso. O problema é que esse movimento coletivo, apesar de bem-intencionado, costuma repetir um erro clássico que explica por que tanta gente fracassa antes mesmo do Carnaval.

“O corpo não responde bem a choque. Quando a pessoa reduz demais a comida e aumenta o gasto físico sem estratégia, o organismo entra em modo de defesa”, explica o médico nutrólogo Dr. Ronan Araujo, especialista em emagrecimento e metabolismo. “Em vez de emagrecer melhor, o corpo passa a economizar energia.”

Comer menos não significa emagrecer melhor
O primeiro equívoco está na ideia de que quanto menos se come, mais rápido se emagrece. Dietas muito restritivas reduzem rapidamente o consumo de energia, mas também provocam queda de hormônios importantes, como leptina e hormônios tireoidianos, responsáveis por regular o gasto calórico.

Além disso, o corpo começa a priorizar a perda de massa muscular, e não de gordura. Como o músculo é metabolicamente ativo, sua perda reduz ainda mais o gasto energético diário. O resultado é um metabolismo mais lento e um emagrecimento cada vez mais difícil.

“Em muitos pacientes, o peso até cai nas primeiras semanas, mas às custas de músculo e água. A gordura, que deveria ser o alvo, fica preservada”, alerta Dr. Ronan.

O outro lado do erro: se mover errado
Janeiro também costuma ser o mês dos excessos nos treinos. Pessoas sedentárias passam a treinar todos os dias, sem progressão, sem descanso e, muitas vezes, focando apenas em atividades aeróbicas longas.

Esse tipo de abordagem aumenta o estresse fisiológico, eleva o cortisol e dificulta a recuperação muscular. Com cortisol alto, o corpo tem mais dificuldade de queimar gordura e maior tendência a armazená-la, especialmente na região abdominal.

“O movimento é fundamental, mas ele precisa ser inteligente. Treinar demais, sem base nutricional e sem recuperação adequada, atrapalha mais do que ajuda”, explica o nutrólogo.

Quando o emagrecimento vira adaptação metabólica
A soma de pouca comida com excesso de estímulo físico cria o cenário ideal para a chamada adaptação metabólica. O organismo aprende a funcionar com menos energia, reduz o gasto calórico basal e passa a reagir cada vez menos aos mesmos esforços.

É por isso que muitas pessoas relatam: “no começo emagreci, depois parei”. Não é falta de disciplina. É o corpo se protegendo.

O papel esquecido da massa muscular
Um dos pontos mais negligenciados no emagrecimento de janeiro é a preservação, e o ganho, de massa muscular. O músculo é um dos maiores aliados do metabolismo saudável, da sensibilidade à insulina e da manutenção do peso a longo prazo.

Treinos de força, alimentação adequada em proteínas e descanso fazem parte de qualquer estratégia eficiente de emagrecimento. Ignorar isso é abrir caminho para o efeito sanfona.

Emagrecer não é punir o corpo
Para o Dr. Ronan Araujo, o maior erro de janeiro é tratar o corpo como inimigo a ser corrigido rapidamente. “Emagrecer não é castigo pelo que foi feito em dezembro. É um processo de reorganização do corpo. Quando há estratégia, o resultado vem com menos sofrimento e mais durabilidade.”

O que funciona de verdade em janeiro
Em vez de cortes radicais e excessos nos treinos, a abordagem mais eficaz envolve:
– Ajustes graduais na alimentação, sem restrições extremas
– Prioridade para proteína, fibras e comida de verdade
– Treinos de força combinados com atividade aeróbica moderada
– Sono adequado e recuperação
– Avaliação individualizada do metabolismo

Janeiro não deveria ser o mês do desespero, mas da estratégia. Comer menos e se mover errado pode parecer lógico, mas costuma ser o principal motivo pelo qual o emagrecimento trava tão cedo. Quando o corpo é respeitado e não atacado, ele responde melhor, com resultados mais consistentes e sustentáveis ao longo do ano.

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Por Dr. Ronan Araujo

Médico nutrólogo, CRM 197142, formado em medicina pela Universidade Cidade de São Paulo, especializado em nutrologia pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), membro da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica)

Artigo de opinião

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