Cinco ajustes realistas para cumprir a promessa de emagrecer em 2026

Nutricionista revela estratégias práticas para transformar a intenção de perder peso em resultados duradouros ao longo do ano

Ano virou e a meta voltou à lista: perder peso. Se você se reconhece nisso, saiba que essa intenção é comum, e necessária. A vontade de cuidar do corpo costuma ganhar força no início do calendário, mas transformar o plano inicial em rotina ainda é um desafio para boa parte da população. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025, da World Obesity Federation, indicam que 68% dos adultos brasileiros apresentam excesso de peso, sendo 31% com obesidade e 37% com sobrepeso. A projeção aponta que, até 2030, o Brasil deve ultrapassar 115 milhões de pessoas acima do peso.

Diante desse cenário, compromissos genéricos tendem a falhar quando não vêm acompanhados de estrutura. A readequação do peso não acontece por atalhos. Ela exige método, regularidade e decisões que se adaptem à dinâmica real de cada pessoa. Pensando nisso, elencamos cinco ajustes fundamentais para transformar a intenção de emagrecer em um plano possível ao longo de 2026.

Iniciar com suporte especializado faz diferença
Um dos equívocos mais frequentes é tentar conduzir a jornada sozinho. A pessoa altera o padrão alimentar e inclui atividade física, mas sem avaliação adequada acaba errando nas quantidades, na distribuição de nutrientes ou no tipo de estímulo corporal. O monitoramento profissional reduz excessos e frustrações. A telemedicina nutricional ampliou o acesso a esse cuidado. Hoje é possível contar com seguimento contínuo, revisões frequentes e direcionamento personalizado de forma online, sem depender de deslocamento. Isso favorece a adesão e melhora a evolução.

Organização alimentar vai além de reduzir calorias
Estruturar escolhas mais equilibradas não significa adotar dietas restritivas. A abordagem alimentar considera cotidiano, preferências, horários e necessidades individuais. O foco está em organizar refeições, equilibrar macronutrientes e evitar longos períodos de restrição, que favorecem episódios de descontrole. Ajustes consistentes geram mais efeito do que planos rígidos. Distribuir melhor proteínas ao longo do dia, calibrar porções e reconhecer sinais de fome e saciedade são atitudes simples que sustentam a perda de medidas.

Atividade física precisa caber no dia a dia
Outro ponto importante é abandonar a ideia de que apenas a academia gera resposta. O estímulo físico pode acontecer em casa ou ao ar livre, o mais importante é a continuidade e a escolha de práticas que a pessoa consiga manter. Caminhadas, treinos funcionais, musculação ou programas orientados remotamente podem ser combinados conforme a realidade individual. O organismo responde melhor quando há frequência, não quando ocorrem picos seguidos de abandono.

Definir um horário fixo para as refeições
Um ajuste simples, e muitas vezes ignorado, é organizar horários regulares para comer. Quando a pessoa se alimenta todos os dias em horários muito diferentes, o organismo perde previsibilidade, o que pode aumentar episódios de fome intensa e escolhas impulsivas. Criar uma janela fixa para as principais refeições ajuda o corpo a se regular. Manter horários semelhantes para café da manhã, almoço e jantar melhora a percepção de fome e saciedade e reduz beliscos fora de hora, mesmo sem mudar o que está no prato.

Grupos de apoio fortalecem a regularidade
Um fator subestimado é a influência do ambiente. Participar de grupos de apoio, comunidades online ou programas acompanhados por profissionais, onde há troca de experiências, aumenta a continuidade e reduz o abandono. Quando a pessoa percebe que outras enfrentam desafios semelhantes, sente-se mais amparada e menos propensa a desistir diante de oscilações naturais. O grupo funciona como um reforço positivo no cotidiano.

A redução de peso não segue uma linha reta. Quando suporte profissional e apoio coletivo caminham juntos, o cuidado deixa de ser uma promessa pontual e passa a fazer parte da rotina ao longo do ano.

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Por Fernanda Lopes

Nutricionista da Six Clínic, profissional de nutrição especializada em obesidade e sobrepeso

Artigo de opinião

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