Brasileiros buscam segurança e diversificação patrimonial com investimentos no exterior
Reforma tributária e instabilidade global impulsionam estratégias internacionais para proteção e crescimento de patrimônio
A busca por segurança jurídica e diversificação patrimonial tem levado cada vez mais brasileiros a investir e estruturar ativos no exterior. Dados oficiais dos Estados Unidos mostram que o estoque de investimento direto do Brasil no país chegou a US$ 31,8 bilhões, movimento intensificado pelo avanço da reforma tributária e pela instabilidade econômica global.
Estratégias bem estruturadas permitem organizar patrimônio, reduzir riscos sucessórios e criar previsibilidade para famílias e empresas que buscam estabilidade de longo prazo fora do Brasil.
O avanço da reforma tributária no Brasil e a instabilidade econômica global têm levado um número crescente de brasileiros a adotar estratégias de proteção patrimonial e internacionalização de investimentos. Dados oficiais dos Estados Unidos mostram que o estoque de investimento direto do Brasil no país alcançou US$ 31,8 bilhões em 2023, com participação crescente de pequenos e médios empreendedores.
Em estruturas patrimoniais, modelos internacionais permitiram proteger mais de US$ 500 mil em bens e gerar economia superior a US$ 150 milhões em impostos sucessórios nos últimos dois anos.
A conjuntura atual ampliou a necessidade de decisões técnicas. Quando o ambiente interno passa por mudanças profundas, o investidor precisa olhar além das fronteiras. A internacionalização organiza o patrimônio, reduz riscos e cria estabilidade para o futuro.
Entre as principais portas de entrada para brasileiros está o mercado imobiliário norte-americano. As vendas de apartamentos somaram aproximadamente US$ 146 bilhões em 2024, crescimento de 22% em relação ao ano anterior. O desempenho reforça o apelo dos ativos multifamily, reconhecidos pela previsibilidade e baixa oscilação.
No mercado financeiro, a abertura de contas em corretoras dos Estados Unidos possibilita acesso direto ao S&P 500, que acumulou retorno superior a 100% em cinco anos. Para perfis conservadores, há opções dolarizadas com rendimento anual de até 6% e baixa exposição a risco. Diversificar em moeda forte tornou-se um movimento de prudência, pois a carteira deixa de depender exclusivamente das condições do Brasil.
A reforma tributária tem acelerado a reorganização de estruturas patrimoniais internacionais. Mudanças previstas nas regras de renda, consumo e herança despertaram maior atenção de famílias preocupadas com previsibilidade tributária e continuidade das próximas gerações. Estruturas como holdings no exterior e modelos sucessórios multijurisdicionais se tornaram alternativas para mitigar efeitos da transição entre sistemas.
Antecipar ajustes pode ser decisivo. As transformações previstas até 2026 exigem preparo. Quem age antes protege ativos e evita decisões de emergência.
O ambiente empresarial dos Estados Unidos segue competitivo e receptivo. Em 2024, foram registrados cerca de 5,2 milhões de pedidos de abertura de empresas, nível ainda muito acima do período pré-pandemia. O país oferece aproximadamente 185 categorias de visto, permitindo desde empreendimentos até autorizações de trabalho temporárias.
Profissionais especializados, como contadores, advogados e gestores brasileiros, encontram espaço real de atuação. Muitos atendem clientes no Brasil e no exterior de forma remota e constroem renda em dólar com estabilidade.
Especialistas recomendam atenção redobrada aos seguintes aspectos para quem deseja iniciar a internacionalização: avaliação tributária completa entre Brasil e exterior; simulação de impactos fiscais na mudança de residência; escolha da estrutura societária mais eficiente conforme a operação; comparação de custos estaduais nos EUA, incluindo seguros e taxas; planejamento imigratório alinhado ao planejamento fiscal.
O êxito depende do diagnóstico inicial. As decisões deixam de ser arriscadas quando a pessoa entende sua realidade tributária e patrimonial. A clareza técnica reduz erros e aumenta a segurança.
Por Fernanda Spanner
CEO da Spanner Consulting Group; International Business Advisor com mais de 20 anos de experiência; Enrolled Agent licenciada pelo IRS (Receita Federal americana)
Artigo de opinião



