Educação Financeira na Infância: A Base para um Futuro Consciente

Como a volta às aulas pode ser a oportunidade ideal para ensinar crianças a lidar com dinheiro e fazer escolhas responsáveis

Já está mais do que na hora de colocar a educação financeira no currículo escolar brasileiro. Hoje, mais de 80 milhões de brasileiros estão inadimplentes, com quase R$ 500 bilhões em dívidas, e cerca de 80% das famílias endividadas, segundo dados da Serasa e do CNDL/SPC. Esse cenário evidencia um problema estrutural: crianças e adolescentes crescem sem aprender conceitos básicos como orçamento, prioridades e planejamento financeiro – habilidades essenciais para reduzir o risco de inadimplência no futuro.

Listas extensas de material escolar, personagens licenciados e produtos que estimulam o consumo fazem parte da rotina da volta às aulas — e podem se transformar em um desafio para pais e responsáveis. Ao mesmo tempo, esse período também representa uma oportunidade importante para introduzir, desde cedo, conceitos de educação financeira, escolhas e responsabilidade.

Envolver as crianças no processo de compra pode ser mais educativo do que simplesmente decidir por elas. Participar da escolha do material escolar ajuda a criança a compreender que o dinheiro é limitado e que nem tudo pode ser comprado. É nesse diálogo que surgem aprendizados sobre prioridades, planejamento e consumo consciente.

A orientação é transformar a compra em uma conversa. Perguntar o que a criança gostaria de ter, apresentar alternativas e comparar preços são formas simples de estimular reflexão. Quando a criança entende por que uma mochila mais cara não cabe no orçamento ou percebe que um item não é realmente necessário, ela passa a fazer escolhas mais conscientes.

Outro ponto importante é lidar com o desejo imediato. Muitos produtos são pensados para despertar vontade de compra. Uma boa prática é anotar o que a criança quer e retomar o assunto depois de alguns dias. Em muitos casos, o interesse diminui, e esse intervalo ajuda a ensinar que nem toda vontade precisa ser atendida na hora.

A educação financeira na infância vai além do futuro profissional. Ela contribui para o desenvolvimento da autonomia, do senso de responsabilidade e da capacidade de fazer escolhas. Além disso, as crianças acabam levando essas reflexões para dentro de casa, influenciando pais e familiares.

Esses ensinamentos são fundamentais para formar cidadãos conscientes, capazes de administrar seus recursos com equilíbrio e evitar os erros que levam ao endividamento. Por isso, iniciativas que promovem a educação financeira desde cedo, especialmente em ambientes escolares, são essenciais para transformar essa realidade preocupante.

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Por Mônica Ferreira

Programas estratégicos e qualidade

Artigo de opinião

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