Como garantir uma alimentação equilibrada para crianças e adolescentes nas férias escolares
Cinco dicas essenciais para formar hábitos saudáveis desde a primeira infância e evitar o consumo excessivo de ultraprocessados
Do cardápio de crianças de seis meses a dois anos, 20,5% são formados por alimentos com alta concentração de gordura, açúcar, sódio e outros aditivos, ou seja, os ultraprocessados. O levantamento, presente na última edição do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), mostra ainda que biscoitos, doces e farinhas instantâneas estão entre os itens mais consumidos nessa faixa etária.
Agora nas férias, os cuidados com a alimentação equilibrada devem ser redobrados. Esse cenário reforça a necessidade de um acompanhamento na formação de hábitos melhores desde a primeira infância.
Os lanches, por exemplo, podem ser um grande problema hoje em dia para os ultraprocessados. Por falta de tempo, muitos pais optam pelo mais prático, como biscoitos recheados. Mas vemos que quando essas crianças chegam ao ensino fundamental, o consumo de ultraprocessados aumenta muito. E, com ele, também crescem as possibilidades de casos de obesidade, diabetes e hipertensão em idades cada vez mais precoces.
Além da presença e do exemplo das famílias, é importante envolver as crianças nas escolhas do cardápio durante as férias. Os combinados ajudam a tornar o processo mais participativo e menos impositivo. Combinados de quantas cores no prato, de o lanche na sexta-feira ser o que a criança escolher, de montar junto o lanche da semana, eles escolherem a fruta, como montar a lancheira, podem motivar as crianças e aproximar os pais e filhos quando falamos de alimentação mais equilibrada.
5 dicas para uma alimentação mais equilibrada nas férias:
1. Dê o exemplo: Coma junto, peça as mesmas coisas, dê o exemplo. O incentivo, da melhor forma, é dando exemplo e praticando.
2. Torne o momento prazeroso: Faça que seja um momento prazeroso, com oficinas, piqueniques, leve na feira, aproxime a criança do alimento, isso é superimportante.
3. Não pressione: A criança não precisa ter trauma, não precisa ter um sentimento negativo em relação à alimentação. Ao contrário, ela tem que ter bons sentimentos, que aquilo deve fazer bem, causar boas lembranças, criar bons momentos, igual ao bolinho da casa da avó, pois comemos muito pela emoção.
4. Evite ultraprocessados na introdução alimentar: Evitar oferecer, nessa introdução alimentar, açúcar, gordura, produtos industrializados, processados. Isso atrapalha o paladar da criança quando ela está descobrindo novos alimentos e acaba interferindo com o hábito para o resto da vida.
5. Prolongue a ausência do açúcar: Evitar oferecer açúcar principalmente até os dois anos. Se puder, manter até os 4 e ficar somente com os produtos mais naturais minimamente processados.
Por Cynthia Howlett
Jornalista e nutricionista formada pela Estácio de Sá, especializada em nutrição esportiva e psiconutrição; coordenadora de Projetos Educacionais e Sustentáveis da Sanutrin
Artigo de opinião



