NR-01 em 2026: Como as Empresas Podem Transformar a Conformidade em Vantagem Competitiva

Cinco pontos essenciais para garantir a adequação à NR-01 e fortalecer a gestão de riscos ocupacionais em um cenário de crise de saúde mental no trabalho

A contagem regressiva para a vigência da NR-01, prevista para maio de 2026, representa um ponto de inflexão para as empresas brasileiras, especialmente diante da crescente crise de saúde mental no ambiente corporativo. A norma, que estabelece o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), deixa de ser uma mera obrigação legal para se tornar uma ferramenta estratégica essencial na prevenção e gestão proativa de riscos, especialmente os psicossociais.

Com a crescente atenção à saúde e segurança ocupacional, a NR-01 torna-se um pilar essencial para empresas de todos os portes, especialmente com o prazo de vigência adiado para maio de 2026. O contexto atual do trabalho no Brasil reforça a urgência de ações: em 2024, o Ministério da Previdência Social registrou mais de 472 mil licenças por ansiedade, burnout e depressão, um aumento de 68% em relação a 2023. Esse cenário evidencia a necessidade de avançar no mapeamento de riscos psicossociais e na regulamentação do cuidado integral, sobretudo diante da expansão dos modelos remoto e híbrido.

A NR-01 é a espinha dorsal para mitigar esses cenários, focando na prevenção e na gestão proativa. Não é apenas uma obrigação legal, é uma oportunidade estratégica para as empresas protegerem o que mais importa: seus colaboradores. A norma exige uma visão integrada do gerenciamento de riscos, que vai desde a identificação de perigos até a capacitação contínua dos profissionais.

Empresas que investirem proativamente na adequação não só estarão em conformidade, mas construirão um ambiente mais seguro, produtivo e engajador, com reflexos diretos na retenção de talentos e na imagem corporativa. Para auxiliar nessa jornada, destacam-se cinco pontos decisivos para uma preparação eficaz para a NR-01:

1. NR-01 deve ser vista com foco em gestão de risco corporativo
Este é o coração da NR-01. As empresas devem estabelecer um sistema de gerenciamento de riscos que identifique, avalie e controle os perigos e riscos ocupacionais. Isso aproxima o PGR de práticas já consolidadas em finanças, compliance e segurança da informação. Implementar plataformas de gestão que permitam que RH e liderança monitorem riscos críticos, acompanhem ações pendentes por meio de dashboards executivos e integrem dados de pessoas, como absenteísmo e turnover, ao mapa de riscos, cria uma visão sistêmica que conecta segurança, produtividade e reputação.

2. Tecnologia como aliada na comunicação e treinamento
A NR-01 enfatiza a capacitação e o treinamento dos profissionais. Considerando que cerca de 80% da força de trabalho global não atua em frente a computadores ou aparelhos móveis, plataformas assíncronas de comunicação e e-learning tornam-se indispensáveis para que todos possam se atualizar conforme sua realidade. A tecnologia fortalece o processo ao disponibilizar formulários estruturados com checklists de impacto e aprovações, gatilhos automáticos para trilhas de capacitação e um registro centralizado que integra todas as mudanças, comunicados e evidências. Assim, a adoção é consistente, inclusive para equipes sem acesso a computador, e o controle de riscos se mantém vivo em cada etapa da operação.

3. Preparação necessita de rotina estruturada e critérios claros
Para se preparar para a NR-01 em 2026, o RH precisa transformar o Inventário de Riscos e o Plano de Ação em uma rotina estruturada, com cadência de revisão, critérios claros de priorização e padronização das evidências que comprovam execução, como registros de treinamentos, comunicações internas e políticas publicadas. Essa organização reduz retrabalhos, facilita auditorias e garante que cada ação prevista no PGR esteja conectada a processos de capacitação contínua, com trilhas claras e comprováveis. A inovação potencializa essa maturidade ao automatizar fluxos com responsáveis definidos, prazos e cobranças automáticas, evitando atrasos e bloqueando o fechamento de tarefas sem evidências adequadas. Repositórios únicos e pesquisáveis centralizam documentos por área, unidade ou tipo de risco, enquanto controles de versão e histórico de mudanças trazem rastreabilidade para auditorias e aprendizados estratégicos.

4. Riscos psicossociais devem ser vistos com seriedade
O RH precisa tratar riscos psicossociais como um tema de gestão, e não apenas de bem-estar. Isso inclui estabelecer fronteiras claras sobre fatores organizacionais, como carga de trabalho, metas, jornada, liderança, assédio e conflitos, e atuar diretamente nas causas-raiz por meio do redesenho de rotinas, rituais de liderança, dimensionamento adequado e políticas robustas. É essencial estruturar uma governança clara para esses casos, com fluxos de apuração, suporte, medidas preventivas e acompanhamento contínuo, sempre com foco em melhorar as condições reais de trabalho. As novas plataformas tecnológicas ampliam essa capacidade ao oferecer ferramentas para escuta recorrente, identificação rápida de áreas com maior risco, canais estruturados para reportar ações com categorização, SLAs e rastreabilidade, além de sistemas que permitem gerenciar planos de ação por área, monitorando evidências e impacto.

5. Cultura de segurança e saúde proativa
É fundamental fortalecer uma cultura em que reportar riscos seja valorizado, criando um ambiente de segurança psicológica onde ninguém tema consequências negativas por comunicar um problema. Isso exige rotinas estruturadas de escuta com devolutivas claras, explicando o que foi feito, quando e por quê, além de rituais de reconhecimento que reforcem comportamentos preventivos e incentivem a melhoria contínua. A tecnologia amplifica esse movimento ao oferecer canais ‘mobile-first’ que permitem relatos rápidos, com foto e localização, além de roteamento automático para tratamento adequado de cada caso. A transparência no retorno, com status visível para quem reportou e dashboards de recorrência por área ou turno, fecha o ciclo de confiança, aumenta o engajamento dos colaboradores e melhora a capacidade da organização de antecipar riscos.

A NR-01 em 2026 não deve ser vista apenas como uma obrigação legal, mas como uma oportunidade estratégica para as empresas que desejam proteger seus colaboradores e construir ambientes de trabalho mais seguros, produtivos e engajadores. A adoção de uma gestão integrada de riscos, apoiada pela tecnologia e por uma cultura organizacional proativa, será decisiva para o sucesso nessa nova etapa.

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Por Leandro Oliveira

diretor da Humand no Brasil

Artigo de opinião

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