Como ensinar educação financeira para crianças: 8 dicas práticas e eficazes

Preparar crianças e jovens para decisões econômicas conscientes é fundamental para um futuro equilibrado e responsável

A educação financeira infantil é um passo essencial para formar pessoas mais conscientes e preparadas para lidar com decisões econômicas com sabedoria. Segundo pesquisa global do Santander em parceria com o instituto Ipsos UK, 84% dos entrevistados não tiveram educação financeira na escola e afirmam que gostariam de ter recebido esse aprendizado, já no Brasil esse número chega a 91%.

Para o psicólogo comportamental Marco Antonio Casagrande, sócio-fundador da Escola Mira, rede especializada no desenvolvimento de habilidades como educação financeira e empreendedorismo para crianças e jovens, ensinar sobre dinheiro vai além do consumo, sendo uma ferramenta essencial para decisões conscientes e responsáveis. “Ao aprender sobre educação financeira as pessoas passam a compreender melhor o valor do trabalho e a importância de planejar, habilidades que refletem diretamente no desempenho acadêmico, profissional e pessoal. No Brasil, o tema ainda não faz parte da rotina da maioria das famílias e escolas, o que contribui para dificuldades no controle de gastos, endividamento e falta de planejamento no futuro”, explica Casagrande.

Para ensinar sobre finanças para crianças e jovens, o psicólogo comportamental apresenta práticas educativas que podem ser utilizadas no dia a dia. Confira:

1 – Converse sobre dinheiro de forma natural
Inclua o tema nos diálogos do dia a dia. Explique para que o dinheiro serve e como é usado, sempre com situações simples e reais. Mostre na prática, em uma compra na padaria, por exemplo, quando paga o pão, diga que o dinheiro é trocado por produtos, sendo necessário para comprar alimentos, roupas e entre outros.

2 – Seja o exemplo
As crianças aprendem observando, portanto, mostrar atitudes como planejar compras, comparar preços e evitar gastos impulsivos é uma das formas mais eficazes de ensinar. Para incentivar, vale explicar que economizando ainda se tem o troco, que pode ser investido em um item a mais.

3 – Use jogos e brincadeiras
Jogos de tabuleiro, brincadeiras de “mercadinho” e desafios com moedas ajudam a entender conceitos como troca, valor e escolhas financeiras de forma lúdica. Ao aprender dessa forma, a criança se envolve mais, desenvolve o raciocínio e passa a relacionar essas experiências com situações do dia a dia.

4 – Diferenciar desejo e necessidade
Ensine a diferença entre o que a pessoa quer e o que realmente precisa, contribuindo para decisões mais conscientes no futuro. Por exemplo, ao ir a uma loja, mostre os produtos que realmente são necessários naquele momento, como material escolar, e os desejos, como brinquedos, e converse sobre o que deve ser priorizado.

5 – Estabeleça pequenas metas
Ajude a definir objetivos, como comprar um brinquedo ou realizar um passeio. Definam juntos o valor necessário e quanto será guardado por semana no cofrinho. Acompanhar o progresso ensina planejamento, paciência e organização financeira de forma concreta.

6 – Envolva a criança nas compras
Antes de ir ao supermercado, por exemplo, combine um valor máximo para gastar em determinados itens. Durante as compras mostre os preços, compare marcas e explique por que algumas escolhas são feitas dentro do orçamento, tornando o momento uma experiência educativa.

7 – Fale sobre consumo consciente
Explique a importância de evitar desperdícios e cuidar dos objetos, relacionando consumo com responsabilidade. Antes de comprar algo novo, converse se o item realmente é necessário ou se pode ser reaproveitado.

8 – Adapte o ensino à idade
Use linguagem e exemplos adequados à faixa etária, respeitando o ritmo de aprendizado de cada criança. Para as menores, utilize histórias, desenhos, músicas e brincadeiras simples envolvendo dinheiro e trocas, já para as maiores, introduza conceitos como mesada, planejamento de gastos e comparação de preços.

“Investir em educação financeira infantil é preparar uma geração para enfrentar desafios econômicos, promovendo equilíbrio, consciência e responsabilidade. Além disso, envolver família e escola nesse processo potencializa o aprendizado, tornando-o mais significativo e aplicável no cotidiano”, conclui Casagrande.

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Por Marco Antonio Casagrande

Psicólogo comportamental, sócio-fundador da Escola Mira, rede especializada em educação financeira e empreendedorismo para crianças e jovens

Artigo de opinião

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