Por que Priorizar o Débito Após o Natal é Essencial para Reorganizar suas Finanças

Entenda cinco motivos para evitar o crédito e manter o controle do orçamento no início do ano

Passadas as compras de Natal e as confraternizações de fim de ano, muitos brasileiros começam a olhar para a fatura do cartão com preocupação. O uso do cartão de crédito continua em alta no país, segundo um levantamento da Abecs, o uso do crédito cresce ano após ano no comércio físico e online. O movimento, porém, acompanha outro indicador: segundo o SPC, cerca de 80 milhões de pessoas terminaram o ano endividadas.

A preferência pelo crédito no dia a dia cria uma sensação de renda maior do que a real. O uso mais frequente do débito ajuda a manter o orçamento sob controle e reduz riscos, como perda de renda, acúmulo de parcelas e cobranças inesperadas.

Confira os principais problemas enfrentados pelos usuários do cartão de crédito e por que é importante controlar ao máximo seu uso:

1. O cartão transforma o salário em “pagador de fatura”
Quando o cartão de crédito concentra todas as despesas, o salário deixa de financiar a vida real e passa a servir apenas para pagar a fatura. Muitas famílias entram em um ciclo em que nada sobra no final do mês — e, sem sobra, o consumidor continua recorrendo ao cartão para sobreviver ao mês seguinte. A ausência de limite no crédito favorece esse comportamento, diferente do débito, que mostra o impacto do gasto imediatamente.

2. Gastos variáveis ficam invisíveis no crédito
Despesas que mudam conforme o dia — cafés, delivery, mercado rápido — deveriam ser monitoradas em tempo real. No crédito, normalmente, elas se acumulam sem “dor imediata”, só aparecendo 30 dias depois. É justamente nesses gastos flexíveis que o débito funciona melhor: a falta do dinheiro no saldo força o consumidor a ajustar o ritmo no mesmo dia, evitando que essas compras se transformem em uma fatura difícil de pagar.

3. Parcelamentos competem com despesas essenciais
Compras parceladas criam um compromisso futuro que muitas vezes é esquecido. Quando as parcelas começam a se sobrepor, elas pressionam despesas fixas como aluguel, energia e saúde. O parcelamento não é o vilão, mas exige disciplina — algo que se perde quando o consumidor já está com a renda tomada por faturas volumosas. No débito, a compra é sentida na hora e evita que o orçamento seja comprometido por meses.

4. Muitos cartões dificultam o controle
Quanto mais cartões na carteira, maior o risco do consumidor perder o controle do que já gastou e de quanto ainda será cobrado. Isso aumenta a chance de inadimplência e de cobranças inesperadas. Para quem busca reorganizar as contas, é recomendável reduzir a quantidade de cartões ativos e priorizar o débito enquanto recupera margem financeira.

5. Limite não é renda — e essa confusão custa caro
Um dos erros mais comuns é tratar o limite do cartão como uma extensão do salário. O crédito não representa um dinheiro disponível na conta, mas sim uma antecipação de uma renda que ainda virá. Quando o consumidor se apoia no limite para fechar o mês, qualquer imprevisto, perda de renda, queda de comissões ou atraso de pagamento vira um gatilho para o endividamento. Priorizar o débito faz com que o consumidor volte a calibrar o orçamento com base no dinheiro real e não em uma projeção.

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Por Breno Nogueira

Especialista em finanças pessoais, fundador da Escola do Breno, influenciador e especialista em planejamento financeiro

Artigo de opinião

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