Como líderes podem revitalizar equipes exaustas para um 2026 produtivo

Estratégias de reconhecimento, propósito e clareza para renovar a energia e reduzir a rotatividade no ambiente corporativo

Pesquisas globais indicam uma queda significativa no bem-estar e no engajamento dos profissionais no final do ano. Um levantamento da Gallup revela que 62% dos trabalhadores relatam esgotamento emocional, enquanto dados nacionais apontam para um aumento nos afastamentos por questões de saúde mental. Esse cenário, somado à pressão por metas e encerramento de ciclos, resulta em equipes desgastadas às vésperas de 2026.

Segundo Alexandre Slivnik, especialista em excelência de serviços e liderança, a solução não está em aumentar a pressão, mas sim em promover a renovação. Ele destaca que as equipes chegam ao fim do ano emocionalmente sobrecarregadas, e o papel do líder é ajudar a ressignificar o ano que passou, encontrando propósito no que está por vir. Sem essa abordagem, nenhuma estratégia corporativa se sustenta.

Slivnik reforça que a virada de ciclo é um momento de vulnerabilidade, mas também uma oportunidade para engajamento. “O engajamento sempre segue a lei da gravidade: vem de cima para baixo. Quando o líder acolhe, reconhece e dá direção, a equipe recupera energia”, afirma.

Dados importantes sobre o comportamento das equipes no final do ano incluem: 59% dos colaboradores relatam queda de motivação nos últimos dois meses do ano; equipes que recebem reconhecimento frequente são até três vezes mais engajadas e podem aumentar a rentabilidade das empresas em até 24%; e culturas organizacionais baseadas em confiança reduzem a rotatividade em até 25% e elevam a produtividade em 32%.

Slivnik destaca que o esgotamento não está apenas relacionado ao volume de trabalho, mas principalmente à falta de significado. “O colaborador até suporta pressão, mas não suporta falta de sentido. Quando o ano termina sem reconhecimento ou clareza, a equipe inicia o próximo ciclo já desgastada.”

Para inspirar equipes exaustas rumo a 2026, o especialista recomenda algumas práticas essenciais:

Reconhecer antes de cobrar: O reconhecimento é um dos maiores motivadores. O fechamento do ano deve privilegiar conversas que valorizem conquistas, deixando a crítica para depois, de forma estruturada e equilibrada.

Ressignificar o ano com propósito: Líderes eficazes ajudam as equipes a interpretar o ano não pelo que faltou, mas pelo que foi aprendido. Empresas guiadas por propósito apresentam ciclos de inovação mais consistentes e maior engajamento.

Reduzir ruído e aumentar clareza: A falta de comunicação intensifica o desgaste. Não se trata apenas de motivar, mas de dar direção. Pessoas cansadas precisam de um norte claro. Transparência reduz ansiedade e fortalece a produtividade.

Criar momentos de pausa intencionais: Práticas estruturadas de bem-estar geram retorno significativo sobre o investimento. Líderes devem legitimar pausas, reorganizar agendas e reduzir reuniões não essenciais em dezembro.

Preparar o terreno emocional para o próximo ciclo: Não há planejamento estratégico possível quando a equipe está emocionalmente esgotada. Rituais simples de fechamento, espaços de escuta e mensagens alinhadas ao propósito ajudam o time a entrar em janeiro com a sensação de recomeço, não de continuidade da exaustão.

A importância dessas ações para 2026 é clara: o início do ano concentra os maiores índices de demissão voluntária. Ambientes que oferecem clareza, reconhecimento e liderança empática apresentam até 35% menos rotatividade, o que impacta diretamente nas finanças, já que substituir um colaborador pode custar o dobro do seu salário anual.

Para Slivnik, 2026 exigirá ainda mais das lideranças. “Será um ano de retomada e ajustes. A empresa que começa janeiro com uma equipe exausta perde competitividade. A que começa com uma equipe energizada ganha vantagem.” Ele conclui que a virada do ano corporativo deve ser tratada como um processo estratégico. “Líder não inspira com discurso, inspira com presença. O novo ciclo começa agora, com reconhecimento, acolhimento e direção.”

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Por Alexandre Slivnik

Especialista em excelência de serviços, vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), professor convidado da FIA/USP, diretor executivo do IBEX – Institute for Business Excellence, autor de diversos livros, palestrante internacional com mais de 20 anos de experiência, com especialização na Universidade de Harvard (Graduate School of Education – Boston / EUA)

Artigo de opinião

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