Os riscos do emagrecimento rápido e a importância do cuidado gradual
Entenda por que perder peso de forma acelerada pode prejudicar a saúde e como buscar um emagrecimento sustentável com acompanhamento profissional
As ‘canetas para emagrecer’ viraram febre no Brasil. Os dispositivos contêm remédios injetáveis que reduzem a velocidade da digestão dos alimentos, diminuem o apetite e são indicados para casos de obesidade ou sobrepeso. A promessa de emagrecimento rápido transformou o medicamento em objeto de desejo de quem busca uma silhueta mais magra em pouco tempo, mas isso pode trazer riscos à saúde.
Emagrecer muito rápido pode causar a redução do metabolismo, perda de massa muscular, deficiências nutricionais, problemas no fígado e no sistema imunológico, cansaço, fraqueza e desidratação. Também pode levar a um ‘efeito sanfona’ de emagrecer e engordar novamente.
O desejo por resultados imediatos – na busca pelo ‘corpo perfeito’ – ainda pode causar danos à saúde física e mental, incluindo o desenvolvimento de transtornos alimentares como anorexia, bulimia, ansiedade, depressão e baixa autoestima.
A perda de peso sustentável envolve uma combinação de alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento adequado. O ideal é que isso aconteça de maneira gradual, saudável e orientada por profissionais de saúde para garantir que o organismo se adapte de modo seguro ao processo. Não se deve acreditar em promessas de soluções rápidas e milagrosas.
Para quem deseja emagrecer com segurança, os biomédicos realizam análises clínicas que identificam fatores como alterações hormonais, metabólicas e nutricionais que podem dificultar a perda de peso.
Além disso, os biomédicos podem fornecer orientações nutricionais personalizadas e atuar de forma integrada com outros profissionais de saúde, como nutricionistas, para garantir um processo de emagrecimento eficaz e duradouro. Na área da estética, realizam procedimentos para reduzir a gordura localizada e remodelar o corpo.
É importante que as pessoas verifiquem se os profissionais têm registros em seus conselhos de classe antes de tomar qualquer decisão na área da saúde, garantindo ética e segurança no atendimento.
A obesidade é o acúmulo excessivo de gordura no organismo, que causa diversos prejuízos à saúde. As causas são variadas e incluem o sedentarismo, a falta de atividades físicas regulares, alterações hormonais ou metabólicas e a má alimentação com alto consumo de alimentos ultraprocessados, açúcar e gordura.
Predisposição genética, desequilíbrio crônico entre o aporte e a queima calórica e o sono inadequado – dormir pouco ou ter um sono de má qualidade – também podem afetar o metabolismo e o equilíbrio energético, aumentando o risco de obesidade. Questões emocionais como estresse, ansiedade e depressão também podem levar à ‘fome emocional’.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a obesidade é um dos mais graves problemas de saúde atuais. Em 2025, a estimativa é de que 2,3 bilhões de adultos ao redor do mundo estejam acima do peso. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, um a cada três brasileiros vive com excesso de gordura no organismo.
Para alertar sobre os perigos desta doença crônica e a importância da adoção de hábitos saudáveis, existe o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro. É fundamental falar sobre isso e informar as pessoas que é possível ter boa qualidade de vida, sempre com a ajuda de profissionais de saúde para orientar com segurança.
As ‘canetas para emagrecer’ são apenas parte de um tratamento mais abrangente, que inclui mudanças na mentalidade, na dieta e aumento na atividade física. Elas devem ser usadas somente com prescrição médica. O uso desenfreado ou por conta própria pode ser prejudicial.
Também são considerados perigosos o uso de substâncias ilícitas, laxantes em excesso, dietas radicais ou restritivas. Da mesma forma, cirurgias bariátricas em pessoas que não se enquadram nos critérios preconizados também trazem sérios riscos.
Por Valéria Avanzi
Biomédica, doutora em Medicina Interna, membro do Conselho Regional de Biomedicina do Paraná 6ª Região (CRBM6)
Artigo de opinião



