Como o cooperativismo de crédito supera os bancos tradicionais no Brasil

A força das cooperativas na inclusão financeira, no desenvolvimento local e na oferta de serviços que os grandes bancos não conseguem entregar

Por muito tempo, o cooperativismo de crédito foi tratado como um ator secundário no sistema financeiro. Era comum associar prestígio aos grandes bancos, não às cooperativas. Mas essa percepção não resiste a uma análise honesta dos números e da realidade de milhares de municípios brasileiros. No ano passado, as cooperativas cresceram 21% em ativos, muito acima dos 13% registrados pelo sistema financeiro tradicional.

Enquanto os bancos reduzem presença física e concentram operações, as cooperativas fazem o movimento inverso: avançam, se fazem presentes e ampliam o acesso a serviços financeiros. Isso impacta profundamente a vida real das pessoas.

A seguir, três razões que explicam como o cooperativismo gera soluções que os bancos, simplesmente, não conseguem entregar.

1. Onde entra uma cooperativa, o crédito fica mais barato
Estudos do Banco Central mostram um padrão inequívoco: a presença de uma cooperativa em uma região leva bancos tradicionais a reduzir suas taxas. É o efeito da concorrência real. Não aquela dos discursos, mas a que surge de instituições que operam com foco direto na comunidade.
O resultado é que todo o mercado melhora, não apenas os cooperados.

2. O essencial vai além da tecnologia: resolve a vida financeira das pessoas
O diferencial das cooperativas se vê no dia a dia. Elas atendem por WhatsApp, mantêm salas físicas onde bancos fecharam agências, enviam o gerente até o cooperado e resolvem demandas com agilidade e autonomia.
Nos pequenos municípios, são muitas vezes a única porta de acesso ao sistema financeiro, algo que aplicativo nenhum substitui.
Afinal, inovação não é só oferecer soluções digitais: é proximidade e capacidade de entender a realidade de cada lugar.

3. A inclusão financeira distribui oportunidades
Mais de metade dos municípios brasileiros já conta com uma cooperativa de crédito. Onde elas chegam, cresce o número de pessoas bancarizadas, o crédito chega aos pequenos negócios e a economia local ganha fôlego.
O avanço das cooperativas não é somente econômico: é social. Ele reduz desigualdades e amplia oportunidades em regiões historicamente negligenciadas pelo sistema financeiro tradicional.

Num sistema financeiro ainda concentrado e distante de boa parte da população como o brasileiro, o cooperativismo de crédito prova diariamente que é possível combinar eficiência, proximidade e desenvolvimento local.
Se quisermos mais inclusão financeira, o caminho não precisa ser inventado. Ele já existe. E passa, necessariamente, pelas cooperativas de crédito.

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Por Marcelo Vieira Martins

Diretor executivo da Unicred União e autor de livros sobre cooperativismo

Artigo de opinião

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