Cresce a Incidência de AVC entre Jovens: A Urgência de Integrar Saúde Mental na Prevenção

Estresse, ansiedade e hábitos nocivos impulsionam o aumento de AVCs em adultos jovens, exigindo uma abordagem integrada entre cuidados clínicos e psicológicos para 2026.

Nos últimos anos, o perfil do Acidente Vascular Cerebral (AVC) tem mudado, com um aumento significativo de casos em adultos jovens. Um levantamento recente indica que o Brasil registra, em média, uma morte por AVC a cada 6,5 minutos, e dados globais apontam para uma crescente incidência entre pessoas de 20 a 45 anos. Essa tendência é impulsionada por uma combinação de fatores médicos e psicológicos, como estresse crônico, hipertensão precoce e hábitos de vida nocivos.

Evidências crescentes mostram que fatores psicossociais não são meros coadjuvantes, mas sim elementos significativos no risco de AVC. Pessoas expostas a estresse crônico apresentam risco substancialmente maior de sofrer um derrame. Além disso, condições como depressão e ansiedade influenciam negativamente a adesão a tratamentos, o controle da pressão arterial e os hábitos de vida — incluindo sono, alimentação, consumo de álcool e tabagismo — ampliando o risco vascular. Em outras palavras, a saúde mental fragilizada pode tanto precipitar um evento vascular quanto dificultar a recuperação.

Especialistas destacam que grande parte dos AVCs é evitável por meio do controle rigoroso da hipertensão, manejo do diabetes, detecção e tratamento de dislipidemia, combate ao tabagismo, redução do consumo abusivo de álcool e prática regular de atividade física. Paralelamente, políticas de promoção da saúde mental, como triagem para depressão e estresse, acesso à psicoterapia e suporte ocupacional, atuam como medidas preventivas indiretas ao melhorar a adesão terapêutica e os estilos de vida.

O enfrentamento do AVC, especialmente entre os jovens, exige um olhar integrado. Não basta controlar o colesterol ou a pressão arterial se a pessoa vive sob constante estresse, não dorme adequadamente, recorre ao álcool para suportar a pressão do dia a dia ou não busca acompanhamento psicológico. Para 2026, é urgente ampliar a integração entre cuidados clínicos e acompanhamento psicológico, levando a prevenção para ambientes como o trabalho, escolas e atenção primária.

Propostas práticas para reverter essa curva incluem:
– Triagem ampliada na atenção primária, com avaliação de risco cardiovascular e sintomas de ansiedade/depressão em consultas de rotina, além de fluxos rápidos para encaminhamento.
– Programas de prevenção ocupacional, onde empresas monitoram a pressão arterial, promovem campanhas sobre sono e manejo do estresse, e oferecem aconselhamento psicológico como benefício de saúde. O ambiente de trabalho é crucial, pois é onde muitos acumulam fatores de risco.
– Campanhas públicas integradas que comuniquem claramente os sinais de AVC, a importância da prevenção vascular e a relação com a saúde mental, facilitando o acesso a teleconsultas e medidas de acompanhamento.
– Rastreamento e manejo de fatores metabólicos em adultos jovens, com protocolos para identificar hipertensão precoce, resistência insulínica e dislipidemia em pacientes abaixo dos 50 anos.
– Capacitação da rede de atenção, incluindo redução do tempo até o atendimento, ampliação do acesso a unidades com protocolos de trombólise e trombectomia, e inclusão do suporte psicológico desde a fase aguda.

A integração do acompanhamento psicológico não é um luxo, mas uma estratégia essencial de saúde pública. Pacientes com depressão apresentam menor adesão à medicação e controle das doenças crônicas, enquanto o estresse elevado está associado a maior risco vascular, conforme demonstram estudos recentes. Intervenções psicossociais, terapias breves, programas de redução de estresse baseados em evidências e suporte social podem reduzir comportamentos de risco e aumentar a eficácia das medidas médicas.

A redução das mortes e sequelas por AVC depende de três frentes: prevenção (médica e psicológica), atendimento rápido (com conhecimento da população sobre os sinais e melhor estrutura de pronto atendimento) e reabilitação completa (incluindo suporte psicológico e reintegração social e laboral). A mudança de foco, de apenas “tratar” para “prevenir e cuidar integralmente”, é a aposta para 2026. A prevenção do AVC começa antes do derrame, e a saúde mental é parte fundamental dessa linha de frente.

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Por Luciane Rabello

Psicóloga, docente e especialista em gestão de pessoas e multiculturalismo; CEO da TalentSphere People Solutions; mais de 20 anos de atuação em gestão estratégica de pessoas em empresas globais como Red Bull, Adidas, Palfinger Group e Siemens Energy

Artigo de opinião

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