Planejamento Fiscal para 2026: Desafios e Ajustes Necessários no Brasil e nos EUA

Com a transição para novos sistemas tributários e maior integração internacional, empresas precisam revisar modelos e processos para evitar riscos e custos elevados.

A preparação para o calendário tributário de 2026 ganhou atenção redobrada entre empresas e profissionais que atuam simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos. Levantamentos como o Paying Taxes, do Banco Mundial e PwC, mostram que organizações brasileiras ainda despendem cerca de 1.500 horas anuais para cumprir obrigações fiscais, número que permanece entre os mais altos já registrados internacionalmente.

Nos Estados Unidos, o tempo médio é de 175 horas por ano, segundo a mesma base comparativa, mas com exigências federais e estaduais distintas que variam conforme o modelo societário e a atividade econômica.

A combinação de ambientes regulatórios diferentes deve exigir revisão de processos ao longo de 2025, sobretudo porque 2026 marca a primeira etapa de transição para a CBS e o IBS no Brasil. Os dois sistemas caminham para controles mais rigorosos, com aumento do cruzamento de dados e da automação fiscal. Quem deixar para revisar documentações, enquadramentos e declarações somente quando as novas regras começarem a valer pode enfrentar custos maiores e até penalidades.

Além da reforma brasileira, contribuintes com atuação internacional precisam acompanhar a expansão dos mecanismos de reporte automático entre países, reforçada pelas novas políticas de transparência fiscal adotadas nos últimos anos. A Receita Federal tem investido em sistemas digitais para identificar inconsistências, enquanto o IRS amplia esforços para rastrear rendimentos e ativos no exterior.

Um erro recorrente entre brasileiros com negócios nos Estados Unidos é supor que a carga tributária será sempre menor. A aparente simplicidade de alguns estados pode induzir decisões equivocadas. Os prazos são rígidos e as multas por envio incorreto ou tardio se acumulam rapidamente. Optar entre modelos como LLC, Corp ou S-Corp altera não apenas a tributação, mas também o nível de exposição do contribuinte.

A preparação para 2026 envolve aspectos essenciais:

1. Reavaliação do modelo societário – a transição para IBS e CBS tende a modificar créditos, tratamentos setoriais e obrigações acessórias no Brasil. Nos Estados Unidos, o tipo de entidade influencia diretamente a forma de tributação, o registro das operações e as exigências estaduais.

2. Gestão documental – precisa ser precisa e atualizada para acompanhar a ampliação das exigências digitais em ambas as jurisdições.

3. Monitoramento constante das operações transfronteiriças – a expansão das regras de reporte automático aumenta a necessidade de declarações corretas sobre rendimentos, investimentos e serviços prestados entre países.

4. Elaboração de projeções financeiras detalhadas – considerando variações cambiais, residência fiscal e créditos bilaterais.

5. Atenção às declarações de pessoa física com investimentos no exterior – que continuam sujeitas a controles específicos e forte troca internacional de dados.

O maior risco está menos na carga tributária e mais na ausência de planejamento contínuo. A reorganização fiscal não deve ser tratada como ação pontual, principalmente em um cenário de integração crescente entre bases de dados.

Os países estão investindo em automação e inteligência de informações. Quem se antecipar terá previsibilidade e segurança. Quem adiar ajustes terá de arcar com retrabalhos e custos adicionais.

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Por Fernanda Spanner

CEO da Spanner Consulting Group, International Business Advisor com mais de 18 anos de experiência, Enrolled Agent licenciada pelo IRS (credencial mais alta concedida pela Receita Federal americana)

Artigo de opinião

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