Como Evitar o Burnout nas Festas de Fim de Ano para Adultos Neurodivergentes
Estratégias práticas para autistas e pessoas com TDAH aproveitarem o Natal e Ano Novo sem esgotamento emocional
O fim do ano é cheio de luzes, encontros e celebrações. Mas para adultos autistas e com TDAH, ele também pode ser um período desafiador. Reuniões longas, barulhos, estímulos visuais e a pressão de se comportar “como todo mundo” podem gerar ansiedade, estresse e até esgotamento emocional.
Muitas pessoas praticam o masking — camuflar sua personalidade ou comportamentos autênticos para se encaixar socialmente. É como colocar uma máscara que precisa permanecer no rosto por horas. Isso consome energia, gera cansaço extremo e, em alguns casos, sentimentos depressivos.
Como proteger sua energia e aproveitar as festas?
Defina limites claros
Escolha quais eventos participar e por quanto tempo. Sair antes ou tirar pequenas pausas não é fraqueza, é autocuidado.
Tenha estratégias de autocuidado
Leve fones de ouvido, pratique técnicas de respiração ou mindfulness e encontre um “refúgio” seguro para se acalmar quando os estímulos se tornarem intensos.
Comunique suas necessidades
Nem todos entendem o que é viver mascarando comportamentos. Conversar sobre limites de socialização, preferências sensoriais ou momentos de pausa ajuda a reduzir a pressão.
Evite comparações
Comparar-se com outras pessoas aumenta a ansiedade. Aceitar que cada um tem seu ritmo e sua forma de aproveitar a festa é libertador.
Intercale socialização e descanso
Alternar encontros com momentos de pausa ajuda a preservar energia e evita o burnout autístico, o esgotamento emocional causado por longos períodos de masking.
O objetivo das festas não é ser socialmente perfeito. O mais importante é se sentir bem consigo mesmo, aproveitar os momentos que gosta e respeitar seus limites. Dizer “preciso de um tempo” é completamente normal.
Seguindo essas estratégias, adultos neurodivergentes podem aproveitar as celebrações de fim de ano de forma autêntica, sem se sentir sobrecarregados, cuidando da saúde emocional e mantendo sua identidade intacta mesmo no meio da agitação típica do Natal e Ano Novo.
Por Dr. Matheus Luis Castelan Trilico
Médico pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR; Pós-graduação em Transtorno do Espectro Autista
Artigo de opinião



