Cinco Tendências que Redefinirão o Consumo no Brasil em 2026
Como novos perfis de consumidores, personalização e a busca por singularidade vão transformar marcas e estratégias empresariais no próximo ano
Os sinais que despontam para 2026 indicam um consumidor mais complexo, marcado por novas demandas afetivas, maior pressão por personalização e transformações silenciosas, porém profundas, no comportamento social. O Brasil entra em um novo ciclo econômico com oportunidades relevantes e urgências claras para as empresas, que precisam revisitar seus serviços, narrativas, estruturas de relacionamento e estratégias de marca.
1. A vida cotidiana ganha centralidade na decisão de consumo
A casa assume o papel de protagonista, reorganizando prioridades e impulsionando setores como mobiliário, decoração, alimentação e entretenimento doméstico. Paralelamente, o turismo se consolida como válvula de escape em um mundo mais tenso: 2025 deve encerrar com 350 milhões de viajantes internacionais, superando os níveis pré-pandemia. Apesar dos desafios de infraestrutura, o Brasil desponta como destino global, apoiado na hospitalidade nacional, que “cura” em um ambiente global mais agressivo e polarizado.
2. Novos grupos de consumo emergem com força
Embora as mulheres continuem como a principal potência do consumo, novos grupos ganham protagonismo e reconfiguram estratégias de marca. No universo da beleza e estética, o homem ocupa espaço crescente, impulsionado pela popularização de implantes capilares e procedimentos estéticos. Esse movimento impacta diretamente o ticket médio e a rentabilidade, refletindo uma maior disposição masculina para investir em autoestima, imagem e bem-estar.
Além dos homens, a atualização do Código Civil brasileiro, que reconhece os animais como seres sencientes, abre um novo capítulo para o mercado pet. Isso amplia responsabilidades e oportunidades para companhias aéreas, meios de hospedagem, varejo e serviços especializados, diante de tutores mais conscientes, exigentes e dispostos a gastar para garantir o bem-estar e inclusão dos animais em viagens e experiências.
O avanço da longevidade também redesenha o mapa do consumo. Consumidores mais velhos permanecem ativos, viajando, consumindo e buscando experiências de alto valor agregado. O chamado etarismo flexível revela um público que rejeita estereótipos da “terceira idade” e exige narrativas, produtos, serviços e estímulos específicos, desde a comunicação até o design e canais de relacionamento.
Esses movimentos pressionam as empresas a sofisticar a segmentação, ampliar a escuta e revisar ofertas, linguagem e serviços para capturar o potencial desses novos protagonismos de consumo.
3. Personalização extrema e a nova geografia da riqueza
A hiper-segmentação e hiper-personalização tornam-se mandatórias em um cenário de rápida geração de nova riqueza, distribuída de forma menos concentrada. O Brasil registrou, em 2022, a maior geração de novos milionários do mundo, e estados como Ceará, que saltam de 9 para 19 bilionários em 2025, simbolizam uma nova geografia econômica. Esse deslocamento favorece turismo, hospitalidade, imobiliário e serviços premium, exigindo repertórios sofisticados de recompensa, reconhecimento e diferenciação, com foco em clienteling.
4. Marcas fortes, hospitalidade e experiência no centro da venda
Marcas fortes voltam a desempenhar papel determinante. Em um ambiente barulhento, coerência narrativa e vínculos emocionais são diferenciais. “Marca é quem dialoga com o coração”. O varejo físico ressurge como palco de experiência, enquanto hospitalidade e wellness se espalham como linguagens estratégicas, tanto na relação com consumidores quanto na gestão de equipes.
5. Singularidade como diretriz para 2026
Chega a era da singularidade radical. Em um mercado de produtos, serviços e discursos cada vez mais semelhantes, marcas e empresas precisam educar o público sobre seus traços únicos de diferenciação. Isso exige autenticidade, clareza, autonomia e equilíbrio entre tecnologia e humanidade. Vulnerabilidade, sensibilidade e a “poesia do erro” tornam-se ativos estratégicos para preservar coerência em um ambiente dominado por automação e eficiência extrema.
Os movimentos para 2026 indicam que o próximo ano não demanda apenas ajustes, mas reinvenção. Entre novos consumidores, riqueza descentralizada, pressões por personalização e busca crescente por experiências com sentido, o desafio será entregar eficiência pautada pelo vínculo. Empresas que articularem diferenciação real com relações consistentes estarão mais preparadas para atravessar o novo ciclo econômico.
Por Carlos Ferreirinha
Especialista em gestão do luxo, fundador da MCF Consultoria
Artigo de opinião



