Hormônios e Saúde Masculina: Desmistificando a Relação com o Câncer de Próstata
Entenda como a testosterona e outros hormônios influenciam a saúde do homem e a importância do estilo de vida na prevenção do câncer de próstata
O mês de novembro é conhecido por conscientizar sobre o combate ao câncer de próstata, tema que merece uma análise aprofundada sobre a relação entre hormônios masculinos e a saúde da próstata.
Durante muito tempo, acreditou-se que a testosterona causava câncer de próstata, uma ideia que surgiu porque o tratamento do câncer avançado frequentemente envolve o bloqueio dos hormônios masculinos. No entanto, estudos modernos mostram que essa crença é um mito. Ter níveis normais ou até elevados de testosterona dentro dos limites saudáveis não aumenta o risco de desenvolver câncer de próstata. O que ocorre é que o tumor depende da testosterona para crescer após sua formação, mas a testosterona não é a causa inicial do câncer. Portanto, a reposição hormonal, quando feita corretamente e com acompanhamento médico, não “cria” câncer de próstata.
Além da testosterona, outros hormônios também influenciam a saúde da próstata, especialmente aqueles relacionados à alimentação, peso corporal e resistência à insulina. Um exemplo importante é o IGF-1, uma substância que aumenta com o excesso de calorias e dietas ricas em açúcar e carboidratos simples. Níveis elevados de IGF-1 estão associados a um maior risco de crescimento tumoral, inclusive na próstata.
Fatores como obesidade, sedentarismo e consumo excessivo de álcool alteram o equilíbrio hormonal e promovem um ambiente inflamatório, que pode contribuir para doenças prostáticas. Assim, um estilo de vida saudável é um dos melhores protetores hormonais que um homem pode ter.
Para a detecção precoce de alterações na próstata, o exame de PSA (antígeno prostático específico) é fundamental e deve ser realizado regularmente, acompanhado de avaliação médica. Além disso, sinais indiretos como sobrepeso, glicose alta, colesterol ruim e pressão arterial elevada indicam maior risco de doenças inflamatórias e câncer, servindo como alertas para cuidados com a saúde geral.
Antes de iniciar qualquer reposição hormonal, é essencial descartar a presença de câncer de próstata oculto. Os principais exames para isso são o PSA, o toque retal e exames de imagem como ultrassom ou ressonância da próstata. Também é importante avaliar o perfil hormonal completo e o metabolismo, incluindo glicose, colesterol, fígado e rins. Com esses dados, o médico pode indicar a reposição hormonal com segurança e definir o acompanhamento adequado.
No tratamento do câncer de próstata, o bloqueio da testosterona é comum, o que provoca mudanças significativas no corpo, como perda de massa muscular, ganho de gordura abdominal, osteoporose, cansaço e alterações metabólicas. Contudo, a prática regular de atividade física e uma alimentação equilibrada fazem grande diferença. Treinos de força ajudam a preservar músculos e ossos, enquanto uma dieta rica em proteínas, vegetais, cálcio e vitamina D mantém o metabolismo ativo e o peso controlado.
Mesmo durante o tratamento, é possível manter qualidade de vida e boa forma física, desde que o paciente conte com acompanhamento médico e suporte multiprofissional.
Em suma, compreender o papel dos hormônios e adotar hábitos saudáveis são passos essenciais para a prevenção e o manejo adequado da saúde masculina, especialmente no que diz respeito ao câncer de próstata.
Por Francisco Tostes
sócio do Instituto Nutrindo Ideais, especialista em medicina do esporte, atuante em endocrinologia, Mestre em Bioquímica fisiológica, formado há mais de 20 anos, pós-graduado em Clínica Médica, Endocrinologia e especialista em Medicina do Esporte, mestre em Bioquímica pela UFRJ, pesquisador em terapias hormonais, possui publicações científicas na área
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