Black Friday em Clínicas Odontológicas: Como Evitar Prejuízos e Preservar a Reputação
Descontos sem planejamento podem comprometer lucro e confiança; estratégias éticas e educativas são o caminho para o sucesso no setor
Com a aproximação da Black Friday, clínicas odontológicas em todo o país intensificam campanhas de descontos para atrair novos pacientes e movimentar o faturamento. A prática, que ganhou força no setor nos últimos anos, vem sendo adotada por profissionais de diferentes especialidades, mas especialistas alertam que, sem planejamento, a estratégia pode comprometer a rentabilidade e a credibilidade das clínicas.
O mercado odontológico brasileiro movimenta cerca de R$ 38 bilhões por ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria Médica, Odontológica e Hospitalar (ABIMO), e segue em expansão, impulsionado pela busca por tratamentos estéticos e preventivos. No entanto, o Sebrae aponta que boa parte das pequenas empresas no país enfrenta dificuldades para se manter ativa após cinco anos de funcionamento, muitas vezes por falta de gestão financeira estruturada, o que também se aplica aos consultórios odontológicos.
Para Sabrina Balkanyi, dentista formada pela USP, empresária e mentora de profissionais da área, a Black Friday deve ser tratada com estratégia e responsabilidade. “Quando a clínica transforma a data em liquidação de serviços, ela compromete sua imagem e coloca em risco o lucro. Desconto só é saudável quando está embasado em análise de custos e margem de rentabilidade”, afirma.
A especialista explica que a redução de preços sem planejamento pode gerar prejuízo direto. “É fundamental que o dentista conheça seus números, quanto custa manter a cadeira ocupada, o tempo médio de cada atendimento e o retorno esperado. Sem isso, o desconto se torna perda disfarçada de oportunidade”, diz.
Ética e posicionamento profissional
De acordo com pesquisa recente da Opinion Box, cerca de 70% dos consumidores brasileiros pretendem aproveitar as ofertas da Black Friday, especialmente em serviços de bem-estar e estética. O dado demonstra o potencial da data para o setor, mas também a importância de um posicionamento ético e transparente por parte das clínicas.
O Código de Ética Odontológica, do Conselho Federal de Odontologia (CFO), reforça que propagandas não podem prometer resultados garantidos ou associar saúde a apelos comerciais. Para Sabrina, esse é um ponto que precisa ser respeitado. “A odontologia é um serviço de saúde. Quando o profissional adota uma comunicação típica do varejo, ele banaliza o cuidado e enfraquece a confiança do paciente”, observa.
Entre as alternativas mais seguras, Sabrina recomenda substituir grandes descontos por ações educativas e de relacionamento. “Campanhas de prevenção, check-ups promocionais e orientações de higiene são estratégias que agregam valor e fortalecem a marca. Fidelizar o paciente é mais eficaz do que competir em preço”, orienta.
Ela também destaca a importância de acompanhar indicadores de desempenho para medir o impacto das ações. “A clínica precisa saber o custo de aquisição de cada paciente e o retorno financeiro de cada campanha. Só assim é possível entender se a Black Friday foi investimento ou gasto”, explica.
Na avaliação da especialista, o verdadeiro diferencial está na consistência e na gestão. “O paciente atual busca confiança, clareza e experiência positiva. As clínicas que souberem equilibrar técnica, comunicação e propósito constroem negócios sólidos o ano todo, e não apenas em novembro”, conclui.
Por Sabrina Balkanyi
Dentista formada pela USP, empresária e mentora de dentistas, com mais de 20 anos de experiência na odontologia, atuando na gestão de unidades odontológicas e desenvolvimento de produtos digitais para profissionais da área
Artigo de opinião



