Por que compramos por impulso na Black Friday? Entenda o papel do cérebro nas promoções
Descubra como a dopamina e a sensação de urgência influenciam nossas compras e como evitar arrependimentos
A Black Friday é uma data marcada por ofertas irresistíveis, mas você já parou para pensar por que acabamos comprando coisas que nem precisamos? Segundo o psicólogo Leonardo Teixeira, especialista em vícios comportamentais, essa reação vai muito além da simples vontade de economizar — ela está ligada a processos neurológicos que ativam o circuito do prazer no cérebro.
De acordo com dados da assessoria de imprensa, o mesmo mecanismo cerebral que motiva um apostador a buscar o próximo ganho é acionado quando nos deparamos com promoções relâmpago e frases como “só hoje” ou “últimas unidades”. Essas expressões criam uma sensação de urgência que reduz nossa capacidade de decisão racional, fazendo com que o cérebro libere dopamina, o neurotransmissor associado à sensação de recompensa.
Um levantamento recente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil revela que seis em cada dez brasileiros compram por impulso na internet durante a Black Friday, e quatro em cada dez acabam gastando mais do que podem. Entre os gatilhos mais comuns estão descontos com tempo limitado, frete grátis e promoções relâmpago. Além disso, 35% dos consumidores já atrasaram contas por causa dessas compras, e quase metade reconhece que emoções como felicidade e sensação de recompensa são motivadores para consumir.
Outro estudo do Laboratório de Psicologia Social da PUC-Rio reforça essa relação entre emoção e consumo, apontando que emoções positivas, busca por pertencimento e prazer imediato aumentam a impulsividade na hora das compras. Para Leonardo Teixeira, isso confirma que o consumo por impulso é uma reação emocional, não racional. “Não é sobre necessidade, é sobre estímulo. Quanto mais recompensas rápidas o cérebro recebe, mais ele passa a depender desse circuito para se sentir bem”, explica.
Mas o prazer da compra é passageiro. O especialista alerta que o ciclo de euforia seguido de frustração pode gerar desgaste emocional e arrependimento, que muitas vezes dura meses. “O prazer da compra dura minutos; a culpa pode durar meses. É o mesmo padrão de euforia e frustração visto em outros comportamentos compulsivos”, complementa.
Para evitar que o consumo se torne um problema, Leonardo recomenda algumas estratégias simples: planejar o que realmente é necessário antes das promoções; evitar compras em momentos de cansaço, ansiedade ou tristeza; estabelecer limites de gasto e anotar tudo o que for comprado; e substituir o impulso por outras atividades que também liberam dopamina, como exercícios físicos, leitura ou descanso.
“O problema não é sentir prazer, é depender dele o tempo todo. Autocontrole é quando o indivíduo escolhe o estímulo e o momento, e não o contrário”, conclui o psicólogo.
Com essas informações, fica mais fácil entender por que a Black Friday mexe tanto com nosso cérebro e como podemos manter o controle para fazer compras mais conscientes e evitar arrependimentos.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



