Novo consenso internacional redefine bruxismo como comportamento motor, não doença
Atualização científica traz avanços no diagnóstico e tratamento individualizado do bruxismo
A mais recente atualização do Consenso Internacional sobre Bruxismo, publicada em 2025 na renomada revista científica *Journal of Oral Rehabilitation*, reforça uma importante mudança de paradigma: o bruxismo não é mais considerado uma doença, mas sim um comportamento motor. Essa redefinição, que já vinha sendo discutida desde 2013 e consolidada em 2018, aprofunda a compreensão sobre o tema e traz novas diretrizes para profissionais da odontologia e para a população em geral.
Segundo o artigo “International consensus on the assessment of bruxismo: report of a work in progress”, de autoria do pesquisador F. Lobbezoo e colaboradores, o bruxismo deve ser entendido como uma atividade repetitiva dos músculos da mastigação, principalmente do masseter e do temporal, que envolve o ranger, apertar dos dentes ou movimentos mandibulares sem contato dentário. Essa movimentação pode ser um fator de risco, proteção ou neutro, dependendo da frequência e intensidade do hábito.
A cirurgiã-dentista Daniela Favalli Jaccomo, especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial, destaca que o bruxismo é classificado em duas manifestações: bruxismo do sono (noturno) e bruxismo em vigília (diurno). Ela reforça que, embora não seja uma doença, o bruxismo pode contribuir para disfunções temporomandibulares, danos dentários e dores musculares, o que torna fundamental o diagnóstico e acompanhamento individualizado.
Entre as principais mudanças do novo consenso estão: a substituição da definição para “comportamento motor”; a eliminação da expressão “em indivíduos saudáveis”; a introdução de termos como “repetitivo” e “sustentado”; e a adoção de uma avaliação multidimensional que inclui relatos do paciente, exame clínico e uso de dispositivos como polissonografia e eletromiografia (EMG).
O tratamento do bruxismo, conforme a atualização, deve ser personalizado, considerando o contexto biopsicossocial do paciente. O objetivo não é necessariamente eliminar o comportamento, mas minimizar suas consequências negativas. Estratégias podem incluir o uso de placas oclusais, prática de atividades físicas e terapia cognitivo-comportamental. Além disso, é fundamental ajustar tratamentos em casos que envolvam medicações ou condições associadas, como a apneia do sono.
O Conselho Federal de Odontologia (CFO) e os Conselhos Regionais reforçam a importância das consultas regulares ao cirurgião-dentista, profissional capacitado para diagnosticar o comportamento motor e propor um plano terapêutico adequado. “O paciente que apresenta sintomas de bruxismo, como o ranger e o apertar dos dentes, deve ser conscientizado que os tratamentos podem proporcionar mais bem-estar e qualidade de vida. Portanto, esse comportamento motor não deve ser negligenciado”, conclui o tesoureiro do CFO, Elio Silva Lucas.
Este conteúdo foi elaborado com base em informações da assessoria de imprensa do Conselho Federal de Odontologia, trazendo um panorama atualizado e essencial para quem busca entender e cuidar melhor da saúde bucal e do bem-estar geral.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



