Compliance Digital e a Revolução Ética na Economia dos Eventos Corporativos

Como a transparência e a tecnologia estão transformando o setor de eventos em um modelo de confiança e inovação

Durante décadas, a engrenagem dos eventos corporativos funcionou de modo invisível: contratações em cascata, prazos longos e pouca clareza sobre quem fazia o quê. A lógica começou a mudar quando a confiança deixou de ser presumida e passou a exigir comprovação digital. Hoje, empresas de todos os portes tentam responder à mesma pergunta: como garantir que cada fornecedor atue com ética e segurança, sem travar a operação?

Foi dessa inquietação que nasceu a virada cultural que vem transformando o setor. Em vez de ver o compliance como barreira, companhias e plataformas passaram a enxergá-lo como ativo estratégico. A Celebrar, criada em 2017, tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos desse novo ciclo. A empresa desenvolveu um sistema que conecta dados financeiros e contratuais de fornecedores, permitindo verificação automática de regularidade e rastreabilidade de repasses.

“Acreditar não basta mais. É preciso mostrar, com dados, que cada elo da cadeia atua dentro das boas práticas”, afirma a CEO da Celebrar. “Quando a relação é documentada e transparente, todos ganham: o contratante, o fornecedor e a reputação do setor.”

A mudança de comportamento é impulsionada por uma pressão global. Segundo relatório da Deloitte de 2024, sete em cada dez empresas que operam sob políticas ESG afirmam que a transparência na cadeia de suprimentos se tornou um dos principais indicadores de risco reputacional. O mesmo estudo aponta que a rastreabilidade digital de contratos e pagamentos é hoje a tecnologia de compliance mais adotada em mercados de serviços.

O impacto é amplo, a padronização de processos reduz custos administrativos, acelera auditorias e formaliza o trabalho de pequenos prestadores que antes viviam à margem das grandes contratações. A Celebrar, que reúne milhares de fornecedores e empresas usuárias, traduz essa transição em uma rede que combina tecnologia e governança. “A digitalização traz algo que o papel nunca trouxe: responsabilidade compartilhada. Cada operação deixa um rastro e esse rastro é o que garante a confiança”, explica.

A transformação ética dos eventos corporativos também se reflete em comportamento empresarial. Gestores passaram a tratar pagamentos, contratações e logística como etapas estratégicas, não meramente operacionais. O controle de cada detalhe de quem monta o palco a quem recebe o último depósito tornou-se sinônimo de marca confiável.

“Transparência não é discurso, é prática e está se tornando o verdadeiro diferencial competitivo”, conclui.

C

Por Camila Florentino

CEO e fundadora da Celebrar; formada em Lazer e Turismo; MBA em Gestão de Negócios pela USP; reconhecida liderança inovadora no setor; autora de estudo acadêmico premiado sobre tecnologia aplicada a eventos; vice-presidente da Associação Brasileira de Startups (Abstartups)

Artigo de opinião

👁️ 97 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar