A importância da escuta ativa para a valorização e saúde mental dos professores
Como práticas simples de acolhimento podem transformar a educação básica no Brasil
A saúde mental dos professores brasileiros vive um cenário crítico. Uma pesquisa da Nova Escola e do Instituto Península revela que 60,1% dos educadores sofrem com ansiedade, 48,1% relatam cansaço excessivo e 41,1% enfrentam problemas de sono. Além disso, segundo o Instituto Semesp (2024), oito em cada dez docentes já pensaram em deixar a profissão, um dado que escancara a urgência de políticas voltadas ao bem-estar e à valorização da categoria.
Ouvir o professor é reconhecer sua humanidade e seu papel central no processo de aprendizagem. Muitos educadores estão emocionalmente sobrecarregados. A escuta ativa permite que eles expressem angústias e necessidades, criando um espaço de apoio e pertencimento dentro da escola.
A escuta não deve se limitar a ações isoladas, mas fazer parte da cultura das instituições de ensino. A valorização acontece quando o professor é ouvido de forma genuína. Essa prática fortalece o engajamento, reduz o absenteísmo e melhora o clima organizacional, refletindo diretamente no desempenho dos alunos.
O cuidado com o docente vai além da formação técnica. É fundamental criar espaços de diálogo e apoio psicológico. Cuidar de quem ensina é também cuidar da qualidade da educação.
Quando o professor se sente ouvido, ele desenvolve mais segurança e empatia, elementos essenciais para a inclusão e para a construção de ambientes escolares saudáveis.
Existem cinco formas de praticar a escuta ativa na escola:
1. Reserve tempo para ouvir: crie momentos específicos para conversas com professores, sem interrupções ou julgamentos.
2. Valide sentimentos: reconhecer emoções fortalece o vínculo e transmite segurança emocional.
3. Promova rodas de diálogo: encontros mensais ajudam a compartilhar experiências e reduzir a sensação de isolamento.
4. Evite respostas imediatas: escutar não é resolver, é compreender antes de propor soluções.
5. Invista em formação emocional: cursos sobre comunicação empática e autorregulação ajudam o professor a lidar melhor com o estresse e a frustração.
A escuta também deve ocorrer entre pares. Criar redes de apoio entre professores é uma forma poderosa de reduzir o isolamento e promover trocas de experiências que fortalecem o coletivo. Isso muda a dinâmica da escola, tornando-a um espaço mais humano e colaborativo.
Por Mara Duarte da Costa
neuropedagoga, psicopedagoga, diretora pedagógica da Rhema Neuroeducação, mentora, empresária, diretora geral da Fatec, diretora pedagógica e executiva do Rhema Neuroeducação
Artigo de opinião



