Decisões sob Pressão: Lições da Engenharia para Líderes e Empresários
Como aplicar princípios da engenharia e psicodinâmica comportamental para transformar desafios em oportunidades estratégicas
Tomar decisões rápidas e assertivas sob pressão é uma das tarefas mais complexas do mundo corporativo e, sem dúvida, um dos maiores diferenciais de um profissional. No entanto, os princípios da engenharia industrial e da psicodinâmica comportamental, tradicionalmente aplicados a processos produtivos, têm se mostrado ferramentas valiosas também para gestores e empreendedores que precisam lidar com situações de alta complexidade e imprevisibilidade.
O engenheiro é treinado para analisar sistemas, identificar gargalos e encontrar soluções com base em dados e comportamento humano. Essa mentalidade pode e deve ser aplicada à liderança.
A pressão faz parte do dia a dia de qualquer empresário, mas o que se faz com ela é o que realmente importa no fim das contas. Saber pensar de forma estruturada mesmo em cenários de caos, transformando a pressão em produtividade, é fundamental. Um dos conceitos aplicáveis é o da “análise de causa raiz”, usado para resolver falhas em processos industriais. Antes de agir, o líder precisa identificar o verdadeiro problema. Muitas vezes, o erro não está na equipe, mas em um sistema mal desenhado ou em expectativas desalinhadas.
Outra lição vem da otimização de recursos. Assim como na engenharia industrial, em que cada componente precisa trabalhar de forma sincronizada, nas empresas o gestor precisa equilibrar tempo, energia e pessoas. Decisões sob pressão exigem foco em eficiência. O segredo é eliminar desperdícios de informação, de energia emocional e de esforço. Isso libera espaço para a criatividade e para a clareza mental.
Mas nem tudo é cálculo. A psicodinâmica comportamental, área que estuda o impacto das emoções na performance, complementa a abordagem técnica. Em momentos de alta tensão, compreender o comportamento humano e as próprias reações é essencial.
Um bom líder aprende a reconhecer seus gatilhos emocionais e a dosar razão e intuição. Essa combinação é o que diferencia um gestor reativo de um estrategista.
É claro que todos somos humanos e todos erramos, e nesta condição erramos mais ainda quando estamos sob pressão. Isso é normal, mas como empresários nosso papel é reduzir ao máximo este risco. Decidir sob pressão é um exercício contínuo de autoconhecimento e método. Ferramentas como mapeamento de cenários, definição de prioridades e análise de risco ajudam a reduzir a impulsividade e a aumentar a assertividade.
A pressão é inevitável, mas o descontrole é opcional. Quando o líder aprende a operar como um engenheiro da sua empresa, com método, mas com empatia, ele transforma o caos em clareza e a crise em oportunidade.
Por Marcelo Thieme
engenheiro químico, empresário, mentor estratégico, especialista em performance organizacional, estudioso de neurociência aplicada, psicodinâmica estratégica e estruturas de decisão empresarial, ex-engenheiro da Unilever, revendedor autorizado da Oswaldo Cruz Química, desenvolvedor de modelo próprio de orientação funcional para profissionais e gestores
Artigo de opinião



