Geração Zika: 10 anos depois, os desafios das crianças com microcefalia no Brasil
Dez anos após a epidemia, crianças com Síndrome Congênita do Zika enfrentam sequelas graves e alta vulnerabilidade à saúde
Dez anos após o surto do vírus Zika no Brasil, a chamada “geração Zika” ainda enfrenta grandes desafios. Crianças acometidas pela Síndrome Congênita do Zika (SCZ), especialmente aquelas com microcefalia, apresentam sequelas neurológicas graves que aumentam sua vulnerabilidade e exigem cuidados contínuos. Dados recentes da Fiocruz, divulgados em 2025, mostram que essas crianças têm entre três e sete vezes mais risco de hospitalização em comparação a outras crianças, evidenciando a gravidade das consequências da infecção congênita.
Segundo a infectologista da Afya São João Del Rei, Dra. Janaína Teixeira, as alterações neurológicas causadas pela SCZ, como encefalopatia crônica, comprometem o desenvolvimento neuropsicomotor e a capacidade imunológica dessas crianças. “Essas alterações comprometem a capacidade de resposta imunológica e aumentam a suscetibilidade a infecções e outras comorbidades, o que contribui para uma maior frequência de hospitalizações”, explica a médica.
Desde 2015, o Brasil notificou mais de 21 mil casos suspeitos de SCZ, com quase 4 mil confirmados como infecção congênita e quase 2 mil casos específicos da síndrome, segundo o Ministério da Saúde. O vírus Zika, transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, pode causar sintomas leves nas gestantes, mas quando transmitido ao feto, pode provocar malformações graves, sendo a microcefalia a mais conhecida.
Embora o pico da epidemia tenha ocorrido entre 2015 e 2016, o vírus ainda circula no país. Em 2024, foram registrados 7.777 casos prováveis de Zika nas primeiras 31 semanas, e em 2025 houve uma redução significativa, com 2.155 casos prováveis. Para a infectologista, a principal estratégia de prevenção continua sendo o combate ao mosquito transmissor. “A conscientização da população e as medidas públicas de controle, como a eliminação de focos de água parada, são ferramentas essenciais”, destaca.
Além das medidas de prevenção, o Governo Federal anunciou em maio de 2025 uma indenização única de R$ 60 mil para crianças e jovens diagnosticados com SCZ nascidos entre 2015 e 2024, somando-se à pensão especial já concedida a algumas famílias. Essa iniciativa busca minimizar o impacto social e financeiro da síndrome, que ainda exige políticas públicas efetivas e vigilância constante para evitar retrocessos.
Este conteúdo foi elaborado com base em informações da assessoria de imprensa da Afya, reforçando a importância de manter o debate sobre a saúde das crianças afetadas pela microcefalia e a necessidade de ações contínuas para garantir qualidade de vida a essa geração.

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA