Como Viajar nas Férias com Crianças Seletivas e Evitar Crises Alimentares

Nutricionista especialista ensina estratégias para garantir tranquilidade e bem-estar durante viagens em família com crianças que apresentam seletividade alimentar

Viajar em família é um dos momentos mais esperados das férias, mas para pais de crianças com seletividade alimentar, o passeio pode se transformar em um desafio. A novidade nos cardápios, a falta de controle sobre os alimentos disponíveis e a quebra da rotina podem gerar resistência e insegurança na hora das refeições. A nutricionista Sthienifer Bergami, especialista em seletividade alimentar infantil, alerta: “o segredo está no planejamento e no acolhimento, sem culpa e sem pressões”.

Levar em conta os limites da criança é essencial. Viajar não precisa ser um momento de conflito com a comida, mas sim de conexão e cuidado. Basta planejamento, empatia e alguns lanches amigos na mochila.

No Brasil, estudos apontam que entre 25% e 40% das crianças saudáveis apresentam algum grau de dificuldade alimentar, como recusa de alimentos ou alimentação restrita, sendo que cerca de 37% das crianças menores de seis anos já apresentam esse quadro, de acordo com o Guia de Orientações sobre Dificuldades Alimentares da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Ainda segundo levantamentos nacionais, entre 25% e 45% das crianças com desenvolvimento típico demonstram comportamentos seletivos à mesa. Já entre crianças com condições do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a situação é ainda mais desafiadora: mais de 80% apresentam seletividade alimentar, segundo estudo realizado em Santa Catarina. Esses dados reforçam que seletividade não é frescura, mas sim uma condição que exige compreensão, estratégia e acolhimento por parte das famílias e profissionais.

A nutricionista especialista no tema, Sthienifer Bergami, enfatiza que a seletividade não é um comportamento simples, mas uma condição com raízes sensoriais e emocionais que merece acolhimento e orientação. “Seletividade alimentar não é frescura, é uma condição que envolve aspectos emocionais, sensoriais e comportamentais. Nas férias, oferecer acolhimento, sem perder os pequenos rituais que ajudam a criança a se sentir segura, faz toda a diferença”, afirma Sthienifer.

Para evitar episódios de estresse e manter o bem-estar da criança, Sthienifer compartilha 5 estratégias práticas que funcionam especialmente bem durante viagens:

– Leve alimentos seguros na bagagem – Frutas secas, biscoitos caseiros ou snacks conhecidos ajudam a criar uma “ponte de segurança” alimentar em ambientes novos.
– Pesquise o cardápio dos locais com antecedência – Restaurantes com opções simples e adaptáveis facilitam a escolha da criança e reduzem a ansiedade.
– Mantenha horários parecidos com os de casa – Mesmo longe da rotina, ter horários definidos para as refeições transmite previsibilidade e conforto.
– Evite forçar experimentações em ambientes novos – Em viagens, o ideal é manter o que já é aceito. O momento de introduzir novidades pode ficar para casa.
– Inclua a criança no planejamento alimentar da viagem – Mostrar fotos do hotel, dos pratos ou envolver a criança em escolhas simples, como frutas ou lanches, já ajuda.

Com empatia, planejamento e respeito aos limites da criança, viajar nas férias pode ser um momento de conexão e cuidado, mesmo diante dos desafios da seletividade alimentar.

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Por Sthienifer Bergami

nutricionista, especialista em seletividade alimentar infantil

Artigo de opinião

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