Alta dos combustíveis amplia necessidade de inserção de fontes renováveis combinadas com sistemas de armazenamento na matriz elétrica brasileira

Para o CEO da You.On, Giorgio Seigne, fontes renováveis com tecnologia de armazenamento protegem o País contra oscilações globais de preço dos derivados de petróleo

A escalada dos preços dos combustíveis fósseis no mercado internacional decorrente do conflito entre Rússia e Ucrânia é um sinal de alerta para as autoridades brasileiras e mundiais sobre a necessidade de ampliação dos investimentos em fontes renováveis combinadas com sistemas de armazenamento energético, justamente para trazer mais segurança e blindagem contra as oscilações de preços dos derivados de petróleo no mercado internacional.

A afirmação é de Giorgio Seigne, CEO da You.On, especializada em sistemas de armazenamento de energia (BESS). Para o executivo, o atual cenário no leste europeu, com repercussões importantes nas políticas energéticas do mundo, traz à tona o papel e a oportunidade que o armazenamento eletroquímico de energia representa, especialmente para a transição energética sustentável no planeta.

“Por mais que pareça que o Brasil esteja distante do conflito, ainda há na estrutura do setor elétrico brasileiro uma grande dependência dos combustíveis fósseis (usinas térmicas)  e, por isso, não está imune aos desdobramentos econômicos desta guerra. O País está sob o risco de mais aumentos na conta de energia, provocados pela alta dos preços do petróleo e do gás natural, um cenário quase inevitável na atual conjuntura”, comenta.

“O maior risco, porém, é que, caso a guerra se prolongue, as elevações de preços dos combustíveis fósseis deixem de ser conjuntarias para se tornarem estruturais, já que tais variações drásticas impactam profundamente a fabricação de bens, a oferta de serviços e o transporte de mercadorias e de pessoas, entre outras áreas”, acrescenta.

Na visão de Seigne, a implantação de sistemas de armazenamento por baterias nas usinas solares e eólicas e em subestações de transmissão e distribuição já sobrecarregadas é, por exemplo, fundamental para garantir autonomia e independência energética no Brasil, além de apontar para menores tarifas para os consumidores brasileiros.

“Outra necessidade é trazer segurança energética, estabilidade e sustentabilidade aos sistemas isolados e remotos desconectados do Sistema Interligado Nacional (SIN) e que utilizam em sua grande maioria os geradores à diesel para atender , de forma precária, comunidades sem acesso à energia elétrica. Somente na região amazônica mais de dois milhões de pessoas vivem nessa situação de isolamento. Assim, substituir esse modelo atual, que é poluente, logisticamente caro e ineficaz, pela tecnologia de baterias de lítio é indispensável, não somente do ponto de vista ambiental, mas principalmente sob a ótica socioeconômica.

Projeto pioneiro de armazenamento em grande escala no Brasil

Uma das áreas mais promissoras é a dos sistemas de armazenamento de energia elétrica de grande porte, capazes de prestar diversos serviços importantes ao sistema elétrico quando inseridos na matriz energética nacional. O consórcio formado pela You.On Energia, especializada em sistemas de armazenamento de energia (BESS), e a TS Infraestrutura, importante executora de obras de engenharia e infraestrutura, assinou recentemente com a ISA CTEEP, maior transmissora privada de energia do País, um contrato para fornecimento e instalação do primeiro projeto de armazenamento de energia em baterias em larga escala no Brasil, para suporte às subestações no setor de transmissão. O investimento autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) é de cerca de R$ 146 milhões e a previsão de entrega da obra é novembro de 2022.

O projeto, a ser implantado na subestação de Registro (SP), da ISA CTEEP, é um passo importante na criação da regulação do setor elétrico quanto à inserção de sistemas de armazenamento de energia na matriz energética brasileira. A ANEEL não apenas aprovou o projeto, mas também se mostrou interessada na replicabilidade dessa tecnologia por outros players da área de transmissão e distribuição.

No escopo, incluem um banco de baterias de 60 MWh, inversores, transformadores, softwares de gestão de energia e sistemas de automação, proteção e controle. O projeto suportará o incremento pontual da demanda do Litoral Sul Paulista, especialmente na época do Verão, a partir de novembro de 2022, beneficiando mais de dois milhões de pessoas.

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