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Pesquisadores descobrem método para inibir células cancerígenas

Estudo mostra eficácia de nova aposta no tratamento do câncer de boca

No Mês Nacional de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço, pesquisadores da São Leopoldo Mandic publicaram um novo artigo no Journal of Photochemistry and Photobiology sobre Autophagy upregulation may explain inhibition of oral carcinoma in situ by photobiomodulation in vitro. No estudo realizado, pesquisadores conseguiram inibir células cancerígenas de um tumor de língua por meio do estímulo da luz vermelha. “Esse procedimento, chamado de fotobiomodulação, foi aplicado em culturas de células benignas com porções de células malignas, semelhantes com o que ocorre no corpo humano”, explica o professor e pesquisador da SLMANDIC, Dr. Marcelo Sperandio. Segundo o especialista, a técnica resulta na inibição das células do tumor através do estímulo à autofagia decorrente da exposição à luz vermelha.

Metodologia

Segundo Dr. Sperandio, as células benignas (conhecidas como fibroblastos) foram coletadas a partir de uma gengivoplastia – sem ter relação com o carcinoma – e adicionadas à uma co-cultura com células malignas retiradas de um tumor de língua. “Depois, utilizamos do procedimento com luz no comprimento de onda vermelha com laser e LED para eliminar as células malignas”, conta.

Para o pesquisador, a diferença entre o laser e o LED está na quantidade de tempo necessária para gerar o resultado proposto. Enquanto o laser leva alguns segundos, o LED demora alguns minutos para concluir o efeito. “Nós sabemos que luz ajuda a célula a se recuperar, e que isso depende da dose. Também é do nosso conhecimento que ao aplicar a luz em alta intensidade, as células ficam danificadas. Por isso, queríamos estudar uma exposição que fosse ruim para as células malignas e não afetassem as benignas”, diz Dr. Sperandio.

Resultado

De acordo com o professor, as células de câncer geram um excesso de Espécies Reativas de Oxigênio – conhecidas como radicais livres -, pois elas possuem a função de proliferar, o que gera estresse. “Por isso, ao acender uma luz em cima dessas células, a produção de radicais livres aumenta. Assim, tentamos dar uma overdose de radicais livres na célula para que ela morresse. Porém, isso não aconteceu. Conforme acendíamos a luz vermelha em diferentes intensidades e tempos, descobrimos que as células diminuíam de velocidade de progressão a 36 J/cm², ou seja, as cancerígenas eram inibidas, comparadas com aquelas do grupo de controle”, explica Dr. Marcelo Sperandio.

Para ele, o aumento na quantidade de radicais livres na célula maligna favorece a autofagia, processo de reciclagem em que a célula utiliza do seu próprio corpo (organelas) para se nutrir, e que envolve moléculas, como a LC3B e BCLIN-1. “A última citada já estava associada à uma melhor recuperação dos pacientes. Além disso, quando acendemos a luz nas colônias de células, nós notamos que a molécula BCLIN-1 acendeu. Ela ficou mais proeminente, com um aumento significativo – que normalmente nem aparece. No grupo controle, por exemplo, essa molécula era imperceptível, como se não existisse”, explica Dr. Sperandio.

“Nós concluímos que a BCLIN-1, molécula decorrente do processo de autofagia, é importante no tratamento, já que ela passa a inibir a proliferação das células malignas”. Segundo Dr. Marcelo, o experimento é um tratamento promissor para a Oncologia. “Se conseguimos provocar o aparecimento da molécula no tumor, o resultado será muito positivo para os pacientes, já que será possível manipular a autofagia para beneficiar o tratamento”, completa.

Importância

De acordo com Dr. Sperandio, o carcinoma oral de células escamosas (OSCC, Oral Squamous Cell Carcinoma) é o tumor maligno mais comum na cavidade oral. “O tratamento precoce é essencial para salvar vidas”. Segundo o pesquisador, a maioria dessas lesões aparecem a partir de doenças orais, que podem ser assintomáticas e detectadas durante exame clínico.

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