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A vida é um corre

por Patricia Pavloski

Se você puder correr, corra. Mas saber parar e admirar é uma dádiva.

Para ler ouvindo: Opportunity – Pete Murray

 

Considerado um dos mais renomados cientistas do mundo, o físico teórico e cosmólogo britânico, Stephen Hawking (1942-2018), parecia ter os motivos para simplesmente desistir da vida (isso sou eu que estou falando). Aos 21 anos, recebeu o diagnóstico de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) que mais parecia uma sentença de morte. Três letras que representam uma doença rara, degenerativa, incurável, paralisante (literalmente).

Em “A Teoria de Tudo”, vencedor do Oscar de melhor ator, a gente acompanha de olhos vidrados o processo de evolução da doença na qual Stephen (brilhantemente interpretado por Eddie Redmayne) perde os movimentos, a fala, a força para manter a cabeça erguida. Quem ainda não conhece a história ou assistiu o filme pensa que é assim que alguém, não à toa, simplesmente lamenta, chora, entrega os pontos…

Bom, não foi exatamente o que ele fez. Pelo contrário: conqusitou o amor da sua vida, teve três filhos, três netos e uma carreira brilhante como pesquisador, professor, astrofísico, descobridor de teoremas, partículas subatômicas e buracos negros. Ufa! Tudo isso em cima de uma cadeira de rodas, com uma traqueostomia e usando um sintetizador de voz para se comunicar.

Claro que nem todos nós, reles mortais ~como ele~, possuem tamanha genialidade e a inspiração corre o risco de passar por clichê de autoajuda (o que não é nada mau). Mas, ao meu ver, a perspectiva muda quando voltamos nosso olhar aos pequenos detalhes, aqueles que são tão grandiosos e acabam passando despercebidos em nosso “corrido” dia a dia.

Na coluna de hoje, trago a reflexão do filme para o cotidiano de qualquer um de nós, mas especialmente ao materno – no qual me encontro envolvida até as entranhas, de corpo, de alma e, principalmente, de coração. O poder que essa biografia tem sobre mim reflete a força que possuímos para fazer tudo aquilo que somos capazes – e que por inúmeras razões não fazemos.

Me faz pensar sobre o tempo, esse implacável (e nem sempre) tenro senhor. O fato é que ele passa sem que possamos interferir. Sublime. Magnânimo. Os próximos dias, meses, anos, décadas… O que farei com elas? Preciso assumir o protagonismo dessas páginas, correndo o risco de deixar para trás o que só eu tinha o poder de construir, mudar, aproveitar. Podemos tentar culpar o outro por algo – e acontece de haver esse algoz -, mas percebo que na maior parte das jornadas somos nós os nossos piores desmotivadores.

Claro que não é tão simples, mas também está longe do impossível. O que você faria se pudesse voltar no tempo? Não dá. Só tem a vida aí, adiante.

Depende muito da perspectiva, repito. Em uma das cenas mais lindas, Stephen observa os filhos correndo em um jardim. Diante deles, diz à esposa: “olha só o que nós fizemos”. Olhe para seu legado, ele pode não ser uma teoria de tudo, mas se criar pequenos serzinhos de bochechas rosadas por e para um mundo melhor não for hoje um grande feito eu não sei mais o que podemos fazer pela humanidade.

Humanidade

substantivo feminino

1. conjunto de características específicas à natureza humana.

“a animalidade e a h. residem igualmente no homem”

2. sentimento de bondade, benevolência, em relação aos semelhantes, ou de compaixão, piedade, em relação aos desfavorecidos.

Após o diagnóstico de ELA, os médicos disseram a Stephen que ele sobreviveria apenas mais 2 anos. Soma 52 nesta conta. Parafraseando o próprio, que se considerava ateu, “enquanto houver vida, haverá esperança”.

Até a próxima!

Importante
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