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FAQ Materno

por Patricia Pavloski

Que tal um novo viés ao testar seus conhecimentos no que batizei de quiz sobre maternidade?

Para ler ouvindo: Teto de Vidro – Pitty

 

 

Volta e meia a gente encontra um expert em maternidade. Eles são tantos que ao dar uma bronca no guri às vezes olho para trás com receio de ser surpreendida por um fiscal da educação parental saindo de trás da cortina, com direito a capa e cartola. Sabem a melhor parte? Algumas dessas pessoas ainda não tiveram filhos. Também não são especialistas que dedicaram anos a fio de suas vidas aos estudos de caso e campo relacionados à gerar, parir, criar e educar uma criança. Estão mais para o tipo torcedor-com-síndrome-de-técnico que vai ao estádio mesmo – ou que ouve o jogo do adversário no radinho de pilha e ataca de comentarista.

Tem ainda os saudosos, aquele pessoal que apesar de ter filhos se agarrou aos métodos de outros tempos e não desgarra por nada. O figura dirige o carro do ano, assina 10 contas de streaming, acabou de comprar um smartphone caríssimo de última geração e jura que a ciência, a medicina e a tecnologia não se aplicam quando o assunto é a maternidade. Nem o Papa Francisco, líder nato da fé e contemporaneidade, convence o cidadão do contrário. Consigo até imaginar o estereótipo da mãe perfeita que permeia esses pensamentos: uma super-mulher atarefada, acabada e sentindo-se culpada. O combo perfeito para que as críticas, o autojulgamento e o famigerado mansplaining criem suas raízes e espalhem seus frutos.

Pensando bem, nós mães é que erramos ao recusar certos (des) conhecimentos sem embasamento por pura teimosia. Bom, em geral, estamos sempre meio equivocadas segundo o alicerce que nos rege a começar por sermos mulheres, mas isso é assunto para outro dia. Voltando ao nosso foco, é pertinente considerar que um indivíduo que não sentiu chutinhos que parecem asas de borboleta batendo suavemente virarem pés encaixados nas suas costelas enquanto tenta respirar no oitavo mês de gestação tenha algo sábio a dizer sobre como é estar grávida. Tudo muito casual para ser problematizado, dizem.

Toda uma luta em prol de mais apoio e, sobretudo, informações que permitam a escolha consciente e segura da via de parto? Balela. Se está com medo da dor de dar à luz naturalmente, cesárea nela. Se vai encarar algo que foi biologicamente feito para acontecer, comprovando que é doida varrida, não pode gritar, hein. Enquanto tem uma galera defendendo a humanização global do atendimento à parturiente, a exemplo de ter uma equipe multidisciplinar capacitada, uma outra grande parcela resume o processo que trouxe cada um de nós ao mundo, também chamado de milagre,  a um emaranhado de achismos pautados em experiências traumáticas não devidamente esclarecidas ou pior (muito pior): simplesmente contadas de forma tendenciosa por aí.

Nasceu! Que fofinho! Ah, vai amamentar, claro? Seus peitos vão cair! Está dando mamadeira? Fulaninho tem uma mãe preguiçosa! Optou ou aconteceu de vivenciar a  amamentação prolongada? Que absurdo, olha o tamanho desse menino, tira ele daí! Partos, peitos, mamilos, mamadeiras: cada tópico com um longo artigo no rígido regimento que regulamenta a atividade de mãe de primeira viagem durante a gravidez, passando pelo puerpério e estendendo-se até os 20 primeiros anos da cria. Falando nela, se fizer mal criação no meio da rua, daquelas com direito a cenas épicas no shopping center ou no gabinete do presidente dos EUA? Gente, essa menina não tem mãe, não?! Lembrando que nesse contrato social muitas vezes o espermatozóide é um mero detalhe, algo que passou e acabou fecundando um óvulo quase que despretensiosamente, assim, por esporte.

Vamos então ao nosso QUIZ MATERNO, elaborado sob a perspectiva das perguntas respondidas frequentemente – o famoso FAQ – por nove em cada 10 mães. Estão preparados? Dica: assinale a única alternativa correta, no caso a “d”.

1       Ao saber da gravidez que não te pertence sob nenhum ponto de vista:

a)    pergunta sobre a escolha do parto;

b)    pergunta sobre como vai sustentar;

c)     pergunta se vai amamentar;

d)    dá os parabéns e fica feliz.

2       Ao comentar uma experiência de parto que nunca viveu ou viveu diferente:

a)    louca, teve parto normal;

b)    louca, fez cesárea;

c)     louca, pariu em casa;

d)    você é forte, te admiro!

3      – O bebê nasceu e na visita:

a)    comenta tudo o que vê ao redor;

b)    comenta que sua bisavó fazia diferente e todo mundo sobreviveu;

c)     comenta que o pediatra pode ter comprado o diploma;

d)    comenta que vai passar o próprio café se quiser tomar um.

4  – Passa por uma mulher amamentando em público:

a)    pensa que ela devia colocar um paninho cobrindo ela, o bebê e a minúscula parte do seio que fica à mostra (menos do que na praia de bíquini cortininha);

b)    pensa que é um desrespeito com seu marido que pode, por ventura, ver o mamilo por 2 segundos caso ele resolva olhar para uma das cenas mais lindas da humanidade;

c)     pensa que ela devia ir amamentar no carro, no banheiro, num buraco de toupeira ou voltar para casa;

d)    passa reto e vive sua vida.

5      – Diante de um surto infantil no restaurante:

a)    manda olhares de reprovação;

b)    manda Deus perdoar essa mãe que não sabe educar seu filho;

c)     manda uma carta para o movimento Childfree;

d)  manda o garçom oferecer um drink ou uma sobremesa na mesa dessa mulher assim que ela conseguir bravamente controlar a situação.

6      – Quando a criança não toma refrigerante ou ainda não come doces:

a)    verbaliza “só um golinho não vai fazer mal”;

b)    verbaliza “tadinha dessa criança”;

c)  verbaliza “pega este brigadeiro escondido e não conta nada pra sua mãe”;

d)    come o que quiser e oferece ao filho quando (e se) tiver o próprio. 

7       Diante de algo que não lhe foi perguntado, gentilmente você toma:

a)    chá de semancol;

b)    chá de sumiço;

c)     chá de ajuda quem não atrapalha;

d)   prepara um chá e serve pra puérpera, toma com ela e lhe empresta um pouquinho os ouvidos.

8      – Se ainda não tem filhos e nem pretende ter:

a)    entende que quem tem filho te respeita igualmente como espera que os respeitamos;

b)    entende que a sociedade estimula essa competição que não ajuda em nada e faz com que todos percam;

c)  entende que assim como sua privacidade é importante quem tem filhos pode não querer falar sobre o assunto, dando explicações a todo momento;

d)    todas as alternativas estão corretas.

 

Se você acertar as oito respostas, vem aqui em casa buscar o meu abraço de urso assim que a pandemia terminar! Se eu estiver dando de mama, vai passando o café até eu terminar, por gentileza! Pode ser? Vai me ajudar #realoficial. Chaleira no fogão, pó na mesinha e xícaras no armário sobre a pia. Beijo!

Até a próxima!

Importante
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