Distância – Afina Menina

Distância

Às vezes, uma frase basta pra nos levar à uma viagem no tempo…
E foi com uma que  voltei aos meus dezessete anos.
Estava chegando para o meu 1° dia de trabalho  e na entrada, 3 rapazes conversavam animadamente.
Um deles chamou-me a atenção,  alto, moreno, ombros  largos, usava óculos… Depois vim a saber que era calouro de Direito.
Com o passar dos dias, começamos a conversar, mas havia algo nos olhares que trocávamos… A gente sabe, né?  Estávamos caminhando… sei lá pra onde… À época dos meus 17 anos, a palavra romance praticamente não existia,  ou era namoro ou não era, e com aquela idade, era paixão de adolescente!!!
Ao final do expediente, fazíamos o mesmo trajeto,  até cada um dirigir-se ao seu ponto de ônibus.
No 1° dia, foi um “tchau,  até amanhã”;
No 2°… Ele gentilmente passou a mão nos meus cabelos e nos despedimos;
No 3°… Abraçou- me  e sussurrou um “até amanhã”,  que hoje ainda ouço ;
4°… Foi comigo até o meu ponto de ônibus, abraçou-me e nos despedimos com um beijo discreto, nem  lembro como cheguei em casa…
E assim, passaram- se os dias, os meses e, sem saber o que aconteceu, terminamos.
Os anos passaram e não encontrei explicação pra pra aquele final. Simplesmente terminamos.
Continuamos trabalhando juntos até um tempo depois ele …. Casar!
A última lembrança que tenho dele ainda está gravada na minha memória… Mas não vem ao caso.
Mudamos de emprego e nunca mais nos vimos.
Demorei 25 anos pra reencontrá-lo… E foi o abraço mais apertado, demorado e emocionado que recebi.
A empresa onde eu trabalhava,  vinculou-se a dele o que me permitia  vê-lo de vez em quando… E quando isso acontecia,  eu me sentia feliz e  ele também demonstrava prazer em me ver… E foi assim que percebemos que aquele sentimento tomaria proporções incontroláveis,  que não podia e nem devia prosperar.
Os velhos princípios não me permitiram ir adiante.  Mas a amizade continuaria, até porque… Sempre tem que ter um porquê  e o meu tinha nome, sobrenome e estado civil: Meu marido!
E mais uma vez nos afastamos.
Só fui encontrá-lo novamente,  15 anos depois.
Ele viúvo, e eu divorciada.
Ele tornou-se uma figura destacada na  “justiça” da nossa terra e  eu… mãe!!!
E a vida mais uma vez  incumbiu-se de  nos separar.  Morávamos a 700km de distância um do outro.
Quando voltei a vê-lo, rapidamente em uma das minhas viagens,  combinamos que conversaríamos por telefone… Em uma dessas conversas,  ele de mau humor, respondeu-me de maneira indelicada. Bloqueei-o  e fiquei uns 2 meses sem falar com ele e…
Senti falta. Então, voltei a procurá-lo.  Às vezes,  ele nem retornava as minhas mensagens.
Nos distanciamos novamente.
Mas, uma noite,  pra minha surpresa,  recebi um vídeo dele e depois outro, e mais outro e de tão feliz que me senti,  só conseguir dizer:
“Que bom que você voltou…”
E ele:
“Eu nunca fui…”
E eu chorei !!!!
Talvez eu volte a vê-lo…
Talvez…
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