Amigos não são terapeutas – Afina Menina

Amigos não são terapeutas

“A minha terapia é conversar com as amigas. Gosto muito!”

Leia ouvindo – Atitude 67 – Psicanalisa

Pois bem: essa é uma confusão recorrente. Nomear as conversas com amigos (ou de bar) como processo terapêutico é um equívoco, sim, e vou explicar as razões nesse texto. Um dos motivos é o pensamento “mas é só uma conversa, dá no mesmo”… E não é difícil encontrar pessoas que pensem assim. É claro que conversar, de modo geral, faz muito bem à saúde mental. Mas não podemos deixar de lado os papéis sociais envolvidos nesta dinâmica.

Aparentemente, a terapia pode parecer uma simples conversa. Porém, na prática, é uma ferramenta potente e profissional. Ela ajuda pessoas a se conhecerem, se reconciliarem com a sua história pessoal e crescerem de forma saudável, a longo prazo. E tudo isso sem julgamentos e sem aconselhamentos.

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A partir de muito estudo e de um referencial teórico consistente, os profissionais mostram o que já está lá, dentro do paciente. Desvelam uma sabedoria pessoal interna e muitas vezes calada por medos, inseguranças e condicionamentos. Ressalto a palavra profissional pois os terapeutas estudaram e estudam muito para trabalhar diariamente nessa área, de forma especializada e dedicada. Não é favor, não é camaradagem, é trabalho sério.

Já a amizade tem a ver com troca. Por isso, escutar um amigo faz parte de um acordo social e costuma ocorrer esporadicamente. Já a relação profissional permite que a terapia seja um espaço focado somente no paciente e recorrente, com encontros semanais. Significa um ambiente reservado, próprio para discutir questões pessoais e únicas, sem restrições. Acredite: o conjunto de fatores faz muita diferença.

Alguns tópicos explicativos:

– Foco em você: nas sessões não existe espaço para outra pessoa, a não ser você. Ou seja, não é preciso dar espaço para os problemas do outro interlocutor e nem se cobrar por estar “monopolizando a conversa”;

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– Sem censuras: é um espaço seguro para expor todo seu “lado negativo”, sem receio de ser mal interpretado, julgado ou sofrer repercussões indesejáveis;

– Frequência: a inclusão de terapia na sua rotina, de forma sistemática, ajuda a desenvolver a sua própria ideia de processo terapêutico e estruturar a sua análise. Nada é aleatório.

– Lá no meu direct (@yaskarapsi) recebo dúvidas, questionamentos e também histórias que queiram compartilhar… Elas são respondidas aqui, em forma de texto, sem identificação (e com uma música especial).

Vamos pensar sobre o que estamos vivendo? Até semana que vem!

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