Você já ouviu falar sobre ninfoplastia?

A cirurgia íntima é a mais procurada pelas mulheres brasileiras. O país é líder no ranking mundial de realização do procedimento

É cada vez maior o número de mulheres que procuram um especialista para realizar uma cirurgia íntima. Os procedimentos são variados, mas a mais procurada é a ninfoplastia. Segundo levantamento feito pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o Brasil registra 21 mil cirurgias por ano, o que coloca o país em primeiro lugar no ranking mundial.

Mas, o que será que tem levado tantas brasileiras se interessarem pela cirurgia? Será que existe algum risco e quando é indicada uma intervenção? A ginecologista do Hospital da Mulher Anchieta, Dra. Renata Gobato responde essas e outras dúvidas, bem como explica detalhes sobre o procedimento.

O que é a ninfoplastia e quando ela é indicada?

A ninfoplastia é uma cirurgia estética realizada na genitália externa feminina com objetivo de diminuir o tamanho, corrigir assimetrias ou frouxidões presentes nos pequenos lábios. Apesar de ser considerada uma cirurgia estética, algumas vezes tem por objetivo corrigir problemas funcionais, como por exemplo, pacientes com pequenos lábios muito volumosos podem sentir dor na relação sexual, incômodo ao usar roupas muito apertadas ou na prática de atividade física, além de constrangimentos que podem desencadear problemas psicológicos e afetar a vida sexual da paciente. Ela é indicada principalmente nos casos de hipertrofia dos pequenos lábios quando estes são muito avantajados, ultrapassando 4-5cm de largura ou nos casos de assimetrias, quando os pequenos lábios possuem tamanhos diferentes.

Como é realizado o procedimento?

A ninfoplastia pode ser realizada no consultório ou no centro cirúrgico. Existem várias técnicas cirúrgicas, sendo algumas com anestesia local e outras com peridural, raque ou anestesia geral; também pode ser realizada por corte ou laser. Por ser uma área muito vascularizada, ou seja, com risco maior de sangramento e sensível à dor, quando realizada em centro cirúrgico traz mais comodidade para paciente e cirurgião. O procedimento dura em média 60 minutos.

Como é a recuperação e quais os cuidados no pós-operatório? 

No pós-operatório é preciso evitar uso de roupas apertadas por pelo menos 1 semana, além de evitar atividades físicas e relação sexual por aproximadamente 1 mês. A higiene local também é crucial para uma boa recuperação.

Existe alguma contraindicação?

Naquelas pacientes com histórico de queloides ou cicatrizes hipertróficas (aquelas que ficam elevadas) o risco-benefício deve ser considerado. Pacientes que possuem lesões na vulva com suspeita de malignidade também não devem realizar o procedimento.

Quais são os riscos do procedimento?

As principais complicações observadas são hematomas, abertura dos pontos – o que pode levar a uma reabordagem cirúrgica, infecções, cicatrizes hipertróficas, retrações que podem gerar um resultado estético não muito favorável, e dor na relação sexual devido ao estreitamento do introito vaginal (abertura até a vagina).

Nos últimos anos aumentou a procura pela ninfoplastia.O que explica esse maior interesse das mulheres brasileiras pela cirurgia íntima?

As pessoas têm enfrentado uma pressão social por modelos ideais de aparência. Por isso, buscam cirurgias estéticas com cada vez mais frequência para melhorar a autoestima e a aceitação de terceiros. A liberdade sexual das mulheres também contribui para uma maior procura pela ninfoplastia. Hoje, a maioria das mulheres desejam uma vulva com poucos pelos e pequenos lábios simétricos e recobertos pelos grandes lábios.

Qual a faixa etária que mais procura a cirurgia?

Geralmente pacientes jovens que estão iniciando a vida sexual e mulheres de meia idade.

Por fim, podemos dizer que é uma intervenção definitiva ou existe possibilidade de ter que repetir o procedimento?

A causa da hipertrofia e assimetria dos pequenos lábios ainda não está completamente esclarecida. Alguns estudos defendem causas congênitas, porém outros a associam com infecções, roupas e atrito na região. Por isso, algumas vezes a hipertrofia pode retornar sendo necessário refazer o procedimento. E como toda cirurgia estética algumas vezes a paciente não fica satisfeita com o resultado, sendo necessário repetir o procedimento, seja apenas por questões estéticas ou por complicações pós-operatórias.