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O militante do antipuritanismo ataca

O militante do antipuritanismo ataca

No ano em que livro de estreia de Henry Miller completa 85 anos, Editora José Olympio relança O mundo do sexo que chocou a sociedade americana nos anos 1940

“Por mais que eu me apegasse a uma ‘boceta’, eu sempre ficava mais interessado na pessoa que a possuía. Uma boceta não vive uma existência separada. Nada vive. Tudo está inter-relacionado. Talvez uma boceta, por mais cheirosa, seja um dos símbolos primais para a conexão entre todas as coisas. Entrar na vida por meio da vagina é um caminho tão bom como qualquer outro. Se você entrar bem fundo e permanecer o tempo suficiente, vai encontrar o que procura. Mas você precisa entrar com coração e alma — e deixar seus pertences do lado de fora. (Por pertences eu me refiro a medos, preconceitos, superstições.)”

O escritor americano Henry Miller (1891-1980) foi polêmico desde sua primeira publicação, Trópico de Câncer, que este ano completa 85 anos de sua publicação. Proibida por mais de três décadas em países de língua inglesa, foi lançada em Paris, em 1934. Já contava mais de 50 anos, sua carreira deslanchou. Surpreendendo o mundo com seu sarcasmo, suas verdades ácidas e seu forte erotismo. Por meio da literatura, Miller narrou sua vida, seus encontros e os acontecimentos bizarros e incríveis que experimentou.

Sem nenhuma autocensura, colocou em cena amor e sexo – ora unidos, ora como antagonistas. Figura-chave na revolução sexual americana, junto com outros nomes de destaque, seus livros escancaram a intimidade do prazer humano: gozos e gemidos se movimentam livremente em suas páginas.

Sem abrir mão do estilo narrativo e do caráter autobiográfico que o consagraram, em O mundo do sexo, de 1940, Miller trata do seu tema mais frequente: a sexualidade – tanto no cotidiano quanto na literatura. Com uma escrita clara, simples e mais madura do que nas obras anteriores, o autor utiliza o sexo como meio para pensar a condição humana, e o resultado é um ensaio primoroso sobre liberdade, amor, sexo e arte.

A obra é enriquecida por narrações do próprio Miller, compartilhando sua vida, seus encontros e os acontecimentos bizarros e incríveis que experimentou. Sem nenhuma autocensura, colocou em cena amor e sexo – ora unidos, ora como antagonistas. O autor ainda discorre sobre a condição humana em relação ao sexo “Entrar na vida por meio da vagina é um caminho tão bom como qualquer outro. Se você entrar bem fundo e permanecer tempo suficiente, vai encontrar o que procura. Mas você precisa entrar com coração e alma – e deixar seus pertences do lado de fora. (Por pertences eu me refiro a medos, preconceitos, superstições.)”

Para o crítico Otto Maria Carpeaux, que assina a apresentação deste livro: “Miller é um escritor muito original: a sequência dos seus livros constitui uma grande autobiografia

assim franca como ninguém jamais escreveu; na sua adoração profundamente romântica do sexo sempre há nuanças de um humorismo picaresco e pitoresco. Mas Miller também é um tipo. É o representante típico da revolta norte-americana contra o puritanismo norte-americano, que considerava todo e qualquer prazer como pecado e só admitia o prazer masoquista, cultivando seus complexos, frutos de um instinto

reprimido. É ele o último de uma grande série, o último e o vencedor definitivo.”

Nascido em Nova York, em 1891, Henry Miller é considerado o percursor do estilo subversivo nos anos 1930. Escreveu literatura libertária e pornográfica, e teve seus livros proibidos em vários países. Seu estilo é caracterizado pela mistura de autobiografia com ficção. Suas principais obras são Trópico de Câncer, Trópico de Capricórnio e a trilogia Sexus, Plexus e Nexus.